Foi há dois anos, na quadra da aldeia Irajá, em Aracruz, que a índia Vanusa Vieira Gomes, de 30 anos, começou um projeto social com oito curumins para ensiná-los a jogar futebol.
A escolinha de futebol Barcelona City/Aldeia Irajá cresceu e, atualmente, conta com 80 garotos, tanto da aldeia quanto dos bairros ao redor dela, que disputam torneios municipais e de categoria de base.
Vanusa começou a jogar futebol aos 7 anos, junto com meninos na aldeia. Fã de Ronaldinho, sonhava ser jogadora de futebol. Mas foi do lado de fora dos gramados que ela se encontrou e virou técnica.
À beira do gramado, ela vive várias emoções. “Vivo a emoção junto com eles. É cada explosão! Quando eles fazem o gol a gente também comemora”, contou.
Ela dirige times das categorias sub-11, sub-12 e sub-15 – nessa última, o time foi campeão da Copa Aracruz de Futebol Infantil.
Vanusa mantém um estilo mãezona, na beira do gramado. Entretanto, garante que, quando é necessário, puxa a orelha dos meninos.
“A gente lida com as crianças todos os dias e nota diferença de comportamento. Se o menino é agitado e chega aqui cabisbaixo, separado dos outros meninos e não quer conversar a gente sabe que tem algum problema. Essa é a hora da gente chamar para conversar e tentar trazer ele para o grupo de novo”, afirmou Vanusa.
A aldeia Irajá está localizada às margens da ES-456, a cerca de 12km do centro de Aracruz, e é uma das cinco aldeias da etnia tupiniquim do município.
Tradicionalmente, os antepassados de Vanusa disputavam corridas com toras de madeira e quem arremessava a lança mais longe.
Os tupiniquins estão na região desde antes a chegada do homem branco. Mas, com o passar do tempo, os índios ficaram cercados pela população e pelas empresas.
A evolução da cidade ao redor, fez o futebol passar a fazer parte da vida dos índios da aldeia junto com os rituais de dança e artesanato que vem desde a origem da tribo.
Para a índia, o futebol é a forma das crianças da aldeia integrarem a cidade que os cerca.
“Sabemos que o futebol não faz parte da nossa cultura tradicional. Só que hoje é um meio que encontramos para fazer com que eles (crianças de fora da aldeia) estejam na vivência conosco, estejam no nosso espaço”, disse Vanusa.
https://www.youtube.com/watch?v=yxAEBFbE6J0&feature=youtu.be
