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Nova maneira de assistir futebol

Com um celular na mão e um sinal de internet de qualidade, já não é mais necessário ficar preso à TV aberta ou por assinatura para ver jogos de ...

Profissional da TV FES: canal on-line da Federação de Futebol transmite até três jogos por rodada do Capixabão

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Profissional da TV FES:  canal on-line da Federação de Futebol transmite até três jogos por rodada do Capixabão (Foto: Fábio Nunes / AT)

Com um celular na mão e um sinal de internet de qualidade, já não é mais necessário ficar preso à TV aberta ou por assinatura para ver jogos de futebol. A “geração Netflix”, que popularizou o streaming (vídeos pela internet) no consumo de filmes e séries, chega com força no esporte.

Com a democratização das mídias digitais, clubes e federações têm assumido o protagonismo na geração das imagens.

No Brasil, o pioneirismo aconteceu em 2017. Athletico/PR e Coritiba não aceitaram os valores propostos pela Globo e fizeram a geração das imagens das finais do Campeonato Paranaense pelo YouTube. O Atletiba teve 1,4 milhão de visualizações de média nas duas partidas.

Esse modelo já chegou ao Estado. Em maio de 2019, a Federação de Futebol do Espírito Santo lançou a TV FES, um canal no portal MyCujoo. Com a parceria do canal do YouTube Torcida ES, foram transmitidos no ano passado 142 jogos on-line. Em 2020, o canal tem transmitido de um a três jogos por rodada do Capixabão.

O jogo entre Estrela e Desportiva, na última quarta-feira, teve mais de oito mil acessos — quase 20 vezes o público de 471 pessoas no estádio Sumaré, em Cachoeiro.

O presidente da FES, Gustavo Vieira, lembra com o canal on-line é possível transmitir o jogo no horário que desejar, sem se adequar a programação da TV.

As transmissões são de baixo custo, com gastos com câmera e um notebook com internet. A narração é feita por profissionais terceirizados de rádios da cidade onde acontece o jogo. Já o suporte técnico é feito por estudantes do curso técnico de rádio e universitário de Comunicação.

Clubes também já estão tomando a dianteira. Em 2019, o Porto Vitória transmitiu mais de 30 jogos no canal próprio. “É uma maneira de divulgar o time. A audiência ao vivo nos surpreendeu, com 500 a mil acessos por jogo”, contou o presidente do Porto, Vinícius Coelho.

Futebol invade redes sociais e Facebook terá Libertadores

Embora as transmissões de jogos pela internet não inviabilizem a cobertura convencional de televisão, a facilidade em gerar seu próprio conteúdo tem contribuído para mudar as relações dos diretos de transmissão esportiva.

Além dos canais tradicionais, novas empresas de streaming e até redes sociais estão investindo em transmissões ao vivo.

O Facebook, por exemplo, tem direito de transmissão de todas as partidas da Libertadores realizadas nas noites de quinta-feira.

Assim, a rede social terá direito de exclusividade na partida de estreia do São Paulo contra o Binacional/PER, quinta-feira; do clássico Inter e Grêmio, no próximo dia 12; e do jogo do Flamengo, dia 19, com o Independiente Del Valle/EQU.

Já a DAZN, primeiro serviço de streaming de esportes ao vivo e sob demanda do mundo, chegou ao Brasil no ano passado e já é detentora exclusiva dos direitos de torneios como a Sul-Americana, Recopa Sul-Americana e Série C do Brasileiro, além do Campeonato Italiano, entre outras ligas e modalidades.

“Esse processo leva tempo, mas estamos trabalhando para massificar o streaming como maneira de consumir esporte. Vamos buscar os melhores torneios e campeonatos disponíveis para os torcedores”, afirmou Sergio Floris, vice-presidente de conteúdo original do DAZN, em entrevista recente.

Jogos começam a pesar no bolso

Wyllison Duarte vê jogos diferentes na TV e no streaming pelo celular (Foto: Arquivo Pessoal)A democratização das transmissões esportivas também pode gerar um custo para quem gosta de futebol. Como boa parte desses serviços são pagos, o torcedor que deseja assistir todas as partidas do time do coração tem que desembolsar uma quantia considerável.

Morando em Santa Catarina há seis anos, o capixaba Wyllison Duarte não perde nenhum jogo do Flamengo, seu time do coração, nem do Avaí, equipe que adotou quando foi para o Sul do País. Pela DAZN, ele viu o Flamengo ser campeão da Recopa Sul-Americana.

Porém, para ver todas as partidas, e também de campeonatos internacionais, ele tem que desembolsar uma quantia de aproximadamente R$ 200 mensais para assinar todos os serviços e canais pagos de futebol, seja de TV por assinatura, canais de streaming e pay-per-view.

Em Santa Catarina, desde o ano passado, a federação local não fechou acordo com a TV por assinatura para a transmissão, assumiu a geração de todos os jogos do Campeonato Catarinense e criou um serviço de streaming pago, o FC Play. Por R$ 60/mês, o torcedor assiste aos jogos da rodada.

Segundo Wyllison, a iniciativa agradou principalmente aos times de menor expressão. “Ficou mais democrático, pois está passando jogos de diversos times, inclusive dos menores. Na TV aberta só passava os times mais comerciais”.

Além do pay-per-view do Catarinense, Wyllison assina pacote de esportes dos canais a cabo (ESPN, SporTV, Fox Sport e BandSports) e streaming como o DAZN.

“Prós e contras da transmissão oficial”, análise de Ubiratan Leal, comentarista dos canais ESPN

O comentarista Ubiratan Leal avalia a nova realidade das transmissões (Foto: Acervo pessoal)“A ‘transmissão oficial’, quando clubes e ligas assumem o protagonismo da geração de imagens, é uma boa saída para dar mais visibilidade para esportes amadores, que normalmente não teriam espaço nas TV convencionais por redução de custos.

O lado ruim é que o dono do evento deseja sempre passar uma imagem em que tudo é maravilhoso, sem compromisso jornalístico independente.

No jogo da Libertadores entre Internacional e Universidad de Chile, por exemplo, que teve protestos com torcedores colocando fogo em objetos, a Conmebol, geradora das imagens, não mostrou as cenas porque não queria que o mundo soubesse que algo de errado acontecia no estádio”.

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