Matheus Menezes é um jovem de 21 anos, estudante de educação física. Com essa descrição, a maioria das pessoas poderia pensar que ele é mais um cidadão que divide sua rotina entre estudos, trabalho e festas com os amigos. Não é bem assim.
O rapaz é uma fera no jiu-jitsu e considerado como a nova promessa da modalidade no Estado. Mas Teteu, como é conhecido no meio das lutas, só começou a praticar o esporte com 19 anos, após ganhar um kimono de um primo. Hoje é faixa azul, segunda graduação do jiu-jitsu.
“Eu tenho um primo que mora nos Estados Unidos e é faixa preta em jiu-jitsu. Sempre que vinha nos visitar aqui no Brasil, ele me ensinava alguns movimentos. Eu não tinha noção alguma do que era o esporte. Fui achando interessante e tomando gosto em aprender as técnicas. Até que ele me trouxe um kimono novinho. No dia seguinte me matriculei em uma academia de jiu-jitsu”, contou.

O dia a dia de treinos de Matheus é pesado. São três treinos diários entre preparação física e técnicas da luta. O mais curioso é que, antes de conhecer, ele tinha preconceito com artes marciais.
“Eu achava que arte marcial era coisa de pessoas ruins, que só faziam uso disso para intimidar os outros. Mas vi que na verdade as lutas te ensinam a ter disciplina, respeito, compaixão. Posso dizer que grande parte do meu caráter vem do jiu-jitsu”, explicou.
Matheus compete na categoria super pesado (entre 94kg e 100kg). Com 1,90m de altura, o título de promessa capixaba da modalidade começou a ganhar força a cada luta vencida por Matheus no Estado. Como passou a ganhar tudo internamente, seu treinador, Wilson Ulhôa, viu que era o momento de passar a disputar competições nacionais.
Neste ano, o jovem de Vitória ingressou na Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e passou a disputar competições pelo País. E os primeiros resultados mostraram que ele realmente tem talento.
Em junho, no Rio Winter Ineternational Open, competição que conta com atletas de todo o Brasil, além de lutadores de países da América Latina e até dos Estados Unidos, Matheus foi medalha de ouro. Na segunda etapa que disputou, em julho, em Belo Horizonte, foi prata.
A próxima competição acontece neste fim de semana (12 e 13), em Curitiba. E para participar dessas competições, o lutador conta com a família e os amigos.
“Meus pais me ajudam com passagens e hospedagem. Tenho amigos que fiz no próprio jiu-jitsu e que se tornaram ‘patrocinadores’, como meu fisioterapeuta Felipe Seabra, que hoje me dá toda a assistência com consultas para manutenção da minha performance como atleta. Meu nutricionista Rodrigo Mendonça que faz planejamentos alimentares pra mim de acordo com as competições. Eles me ajudam com seus serviços. Mas para competir em grandes torneios, vou precisar conseguir bons patrocínios. Ainda estou ganhando meu espaço e faltam recursos”, declarou.
Os sonhos de Matheus já estão traçados: disputar o mundial do ano que vem na Califórnia/EUA.
“Meu objetivo é atingir títulos de grande expressividade no jiu-jitsu, como o mundial. Estou me programando para disputar esses campeonatos maiores no ano que vem”, afirmou.

Perfil
Nome: Matheus de Menezes Ferreira Marely
Idade: 21 anos
Altura: 1,90
Categoria: Super pesados (94kg a 100kg)
Posição no ranking (CBJJ): 48º
Títulos: Primeiro lugar no Rio Winter International Open e segundo lugar no BH Winter International Open (competições da CBJJ
Treinos com faixas pretas e aposta do amigo
A maioria dos atletas de ponta começam a praticar algum esporte ainda na infância ou na adolescência. Não é o caso de Matheus Menezes que só passou a treinar jiu-jitsu na fase adulta.
O treinador Wilson Ulhôa explica que o talento do jovem é acima da média e afirmou que acredita no potencial do lutador.
“É difícil pegar um atleta de ponta dessa idade (21 anos), que é uma idade onde a maioria abandona o esporte para estudar, ou para curtir mesmo. Mas o Matheus é um talento, esforçado, treina todos os dias. Por trabalhar com muitos atletas, sabemos quem tem futuro no esporte”, disse.
Ulhôa destacou que seu pupilo, apesar de faixa azul, só treina com lutadores faixa preta (graduação mais alta).
“Pelo próprio porte físico dele, como ele é muito forte e na categoria dele acaba se sobressaindo, ele só treina com faixas pretas e faz duro com os caras que também já estão disputando competições internacionais”, ressaltou.

O fisioterapeuta Felipe Seabra conheceu Matheus nos treinos de jiu-jitsu. Hoje é um dos amigos-patrocinadores do jovem e conta por quê decidiu ajudar o rapaz.
“O Matheus começou a treinar comigo e eu percebi não só o talento, mas também a dedicação, a maturidade dele. Só que no Brasil nós temos uma restrição muito grande para poder ser um atleta de ponta. Tem que ter uma estrutura ao redor que muitos não conseguem ter. A minha ajuda sempre foi voltada pela pessoa que ele é. Eu aposto nele como atleta. Forneço todo o serviço que ele precisa para tratamento de lesão. E indico outros especialistas que ele precisa”, disse Felipe que aposta em um título de grande expressão do amigo.
“Ele tem condições de ser campeão mundial de faixa azul. E tem tudo para ser topo do ranking na faixa em que ele estiver”, declarou.
Texto: Eduardo Alencar