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“O futebol do Espírito Santo é prioridade”: Gustavo Vieira quer reeleição

Eleito presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES) em 2014, Gustavo Vieira assumiu no ano seguinte após a “era Marcus Vicente”. Com o ...

Última atualização

Eleito presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES) em 2014, Gustavo Vieira assumiu no ano seguinte após a “era Marcus Vicente”. Com o futebol capixaba na Quadradona do Brasileiro, o gestor, de 43 anos, já conseguiu atingir objetivos no Estado.

Gustavo Vieira, presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo. Foto: Divulgação / FESOs clubes, atualmente, têm praticamente custo zero nas competições. Além disso, a articulação política entre a FES, a CBF e o poder público tem sido de grande valia.

À reportagem, Gustavo Vieira declarou que, apesar das mudanças na CBF e com o banimento de Marco Polo Del Nero, não pretende sair da FES.

“Sou candidato à reeleição e minha prioridade hoje é o futebol capixaba”, admitiu o mandatário, sem opinar sobre os escândalos na entidade máxima do futebol brasileiro.

Del Nero é o terceiro ex-presidente consecutivo da CBF que é acusado de corrupção. Antes, Ricardo Teixeira e José Maria Marín foram os alvos da Justiça.

A TRIBUNA – Qual seu posicionamento sobre a decisão da Fifa?
GUSTAVO VIEIRA – O Marco Polo publicou uma nota a respeito do assunto, não vou opinar.

Como é a relação da FES com a CBF?

É uma excelente relação, né? Uma excelente relação. Eu trabalho muito essa questão de relação, entendeu? Uma boa relação com as entidades, o futebol capixaba precisa estar bem relacionado.

Gustavo Vieira e Marcus Vicente. Foto: Jussara MartinsÉ um envolvimento bom para o futebol capixaba então…

Tenho amigos lá, desde que eu era diretor executivo da casa (FES). No quadro técnico, a vantagem que eu tenho é porque já conheço os diretores de arbitragem, de registro… o de competições (Manoel Flores) esteve aqui na final da Copa Verde. Isso aí é importante para o futebol capixaba, além do Marcus (Vicente), que já tinha uma boa relação desde antes.

Você apoiou a eleição do Rogério Caboclo, eleito para assumir em abril do ano que vem. Como é a relação de vocês?

O Rogério (Caboclo) já conheço desde quando ele era diretor da Federação Paulista de Futebol (FPF). Eu era diretor executivo da FES. É uma caminhada de ambos, tenho uma boa relação com ele diariamente.

Seu mandato termina em abril do ano que vem. Vai tentar a reeleição ou pretende assumir um cargo na CBF?

Continuo até o fim do meu mandato e sou candidato à reeleição. O futebol do Espírito Santo é prioridade.

Mesmo que agora o futebol capixaba seja sua prioridade, já pensa em assumir a CBF posteriormente? É algo que já te faz ter planos?

Você pode até não acreditar, mas sou muito focado e disciplinado nas minhas coisas. Meu foco hoje se refere somente ao futebol capixaba. A gente tem uma missão a cumprir, que não é nada fácil, e tenho que investir meu tempo e energia nisso.

Gustavo Vieira durante Simpósio Brasileiro de Futebol de Base. Foto: Divulgação / FESAlém do trabalho no Estado e na articulação com a CBF, como é sua atuação em Brasília?

Em diversos momentos estive em Brasília, me posicionando completamente contrário à exigência das certidões por participações, conseguimos prorrogar isso. Seria um caos se não tivéssemos tido êxito. Particularmente, fiquei bem à frente disso até junto com o Rogério Caboclo na última reunião.

Você foi diretor da CBV. O quanto essa experiência é importante na sua caminhada esportiva?

A CBV, para minha carreira esportiva, foi muito importante. Peguei a CBV quando estava no auge, valor profissional muito grande. Peguei uma experiência boa com o vôlei em alta naquele período, um esporte bom e em evidência. Isso me levou para a Confederação Sul-Americana da modalidade, me dando experiência internacional, interlocutor da vinda de outras seleções, lidando diretamente. Consegui a implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e Certificação, sendo a primeira instituição esportiva do País a conseguir.

Seleção australiana treinou no estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. Foto: Kadidja Fernandes / ATFalando em contato com pessoas de outros países, tivemos aqui as seleções australiana e camaronesa…

Aproveitamos aquele momento para fazer melhorias na Desportiva. Com dinheiro 100% privado, construímos um campo de treinamento no estádio, que não tinha. Foi dinheiro de relação, entendeu? Ali foi captação de recursos da federação, com o Marcus naquele momento, junto ao Comitê Organizador Local (COL). A Austrália fez a exigência do campo e foi uma boa justificativa para a construção. Esse é um legado indiscutível. Campo com tamanho oficial, que na época era até melhor do que o campo principal.

O que os clubes capixabas conseguiram avançar?

Hoje em dia os clubes conseguem ter um ‘norte’ dentro da questão do Ato Trabalhista. A gente quebrou essas barreiras e pouquíssimos estados têm isso. Desportiva, Vitória, Serra fez um acordo, então, está aberto o diálogo e vamos dar prosseguimento nisso. É importante para a gestão.

O que podemos esperar do futebol capixaba em seu último ano de mandato?

Para 2019 já temos algumas vantagens, como contrato de TV firmado com uma emissora de TV aberta e também com a transmissão online. Ou seja, a parte de divulgação já está programada. Vamos renovar os contratos também com a fornecedora de bola, já finalizamos a prestação de contas com o Sedex, com tudo certo e vamos iniciar o diálogo para 2019. Vamos trabalhando nessa linha, de dar mais valor às competições. Acho que o calendário é mais ou menos esse mesmo, a gente tem que seguir o calendário nacional. Aumentamos muito o número de partidas. Eram pouco mais de 300, ano passado foram praticamente 700, ou seja, mais que dobramos o número de partidas. O campeonato sub-20 está com 16 equipes, tinham 10. Talvez possamos mudar fórmula de disputa, mas calendário está tranquilo (no Espírito Santo).

Mandatário do futebol capixaba, Gustavo Vieira quer a reeleição. Foto: Jussara MartinsHouve um crescimento significativo então?

A competição principal ganhou peso. Veio patrocínio de fora, veio TV aberta, já tem isso garantido para o próximo ano. O patrocínio privado está em negociação, mas estamos trabalhando bem nesse sentido, articulando cada vez mais com diversos atores. Vamos tentar atacar mais os empresários locais. A Copa Verde é uma competição sustentável e vamos procurar uma série de empresas que podem cooperar nesse sentido. É um campeonato que recebe recursos do Ministério do Meio Ambiente. Temos organizado projetos com empresas que possam nos apoiar.

Falando em Copa Verde, o Atlético/ES vem forte para a sequência da temporada com a Série D. O que esperar do Galo na busca pelo acesso?

A gestão é importantíssima, mas os resultados dentro de campo são o que vende. O fato do Atlético/ES estar em uma final de competição nacional, é extraordinário para o futebol capixaba. Está sendo visto no Brasil todo. Vamos torcer muito agora. Minimizamos os custos dos clubes nesse primeiro semestre, que disputaram uma competição barateada pela Federação. Conseguimos um convênio com o Governo do Estado (ajuda de custo de R$ 100 mil ao todo aos dois times) para dar suporte de logística, dando menos despesas aos clubes. Agora, bom resultados dentro de campo, vão elevar o futebol capixaba. E o Atlético/ES está em ritmo de competição.

O Espírito Santo está em seu terceiro ano consecutivo…

Fizemos uma articulação, liguei para a Ferj e liberaram um estádio de Macaé para o time treinar (na segunda rodada). O papel da Federação também é esse. As pessoas às vezes acham que é só dar dinheiro, mas não é só isso. Estou sempre com o Rubinho (presidente da Ferj), um ajuda o outro e dinheiro vai muito em função do clube. Agora, apoio institucional, político, de articulação, isso aí a gente faz o tempo todo. É isso que move a máquina. O Espírito Santo está em seu terceiro ano, já aprendeu a jogar a Série D, com um técnico que já jogou a Série D.

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