Vestindo a camisa do Flamengo, Manuel Brito Filho já foi “melhor que Eto’o” e sofreu com as críticas por estar acima do peso. Obina, como o atacante ficou conhecido, viveu os dois lados da moeda, mas guarda com carinho a passagem de cinco anos que teve pelo clube.

A vontade de vencer, segundo Obina, era a marca daquele time. E algo que ele vê no atual elenco rubro-negro para brigar por novos títulos.
“Esse Flamengo que a gente tá vendo, dá pra perceber que os caras estão se dedicando e querem conquistar um título”, comentou.
Obina participa neste domingo (19) de um encontro de torcedores do Flamengo junto com o ex-zagueiro Fabiano Eller, em Novo México, Vila Velha. Na segunda-feira (20), visita alunos da Escolinha Fla Vila Velha. Antes, recordou para a reportagem de A Tribuna e do Tribuna Online as alegrias pelo rubro-negro.
A Tribuna/Tribuna Online — O que achou da vitória sobre o Grêmio? O Fla é favorito ao título da Copa do Brasil?
Obina — Com certeza! Até porque, o Flamengo enfrentou uma das equipes que tem jogado o melhor futebol no Brasil. O time do Grêmio fica muito com a posse de bola, isso dificulta demais para os adversários. O mais importante foi ver que o Flamengo está mais consistente na marcação, não deixando os caras criarem espaço.
Qual vem sendo o diferencial desse time?
Eu vejo muita vontade dos jogadores. Antes a gente dizia ‘poxa, não é o mesmo Flamengo de antes’, que podia perder o jogo, mas tinha muita vontade de vencer. E é esse Flamengo que a gente tá vendo, estamos vendo que os caras estão se dedicando e querem conquistar um título.
Você foi campeão da Copa do Brasil em 2006 com gol na final. Foram os mais marcantes?
Acho que o gol, por ser em um momento difícil que a gente estava vivendo no jogo, foi muito importante. Mas o que mais marcou foi a união da equipe. A gente era muito criticado, e por isso a gente tinha esse negócio de estar junto. É a maior lembrança que eu tenho.
O Flamengo foi o time que mais marcou a sua carreira?
Olha, não tem como pontuar assim. Mas eu sei que o Flamengo foi muito importante na minha carreira. Muito importante. Posso colocar as duas equipes mais importantes, o Vitória/BA, pelo início, e o Flamengo por me apresentar para o Brasil como um grande jogador.

Acho que ali foi tudo, é quando digo que foi meu início no Flamengo. Passando por um ano difícil, aquela cobrança, a gente precisava vencer seis jogos. Tinha vencido quatro e empatado um e precisava dos três pontos de qualquer jeito contra o Paraná porque a gente podia cair. Eu tinha acabado de entrar e era a primeira bola que eu tinha pego no jogo. Arrisquei, fiz o gol e consegui junto com todo mundo safar o Flamengo de cair. Depois dali, acho que o torcedor viu que eu tinha coragem e vontade e podia acrescentar um pouco mais ao Flamengo.
Como foi ouvir pela primeira vez que “Obina é melhor que Eto’o”?
Imagina, cara, pra mim, eu tava até jogando bem, fazendo gol. Mas eu ouvi pela primeira vez essa música, direcionada pra mim. Ouvir pela primeira vez foi estranho. Eu fiquei: ‘pô, será que esses caras tão me zoando?’. Mas mesmo assim eu não ligava, achava maneiro. No início não gostava muito, mas fui me acostumando.
Você foi criticado por estar acima do peso…
Em toda a minha carreira eu tive esse problema de peso. Não tinha como fugir. Eu tenho até que agradecer ao Joel (Santana), foi um treinador que me cobrou muito isso desde quando cheguei no Fla.
Você foi emprestado ao Palmeiras em 2009, quando o Fla foi campeão Brasileiro. Guarda alguma mágoa por isso?
Cara, eu não tenho nenhuma mágoa. Acho que meu tempo no Flamengo já tinha dado, era momento de renovação, eu não estava muito bem. Quando envolve o Flamengo, jamais existe mágoa.

Graças a Deus fui muito bem no Palmeiras. A gente tava com o título na mão e acabamos sendo derrotados, perdemos alguns jogos e o título. E, cara, eu posso te falar: o Flamengo tem uma torcida maravilhosa, mas a do Atlético/MG também é uma torcida invejada. Eles são muito fiéis ao clube, apoiam o tempo inteiro, acreditam até o final. Foi um outro momento muito bom da minha carreira, dos melhores que tive foi estar jogando pelo Galo.
Você é torcedor do Vitória/BA, mas vestiu a camisa do Bahia. Se pudesse voltar atrás, teria tomado essa decisão?
Não, eu teria sim! Até porque era o sonho do meu pai, ele é torcedor do Bahia. E também, acho que a gente tem que manter o profissionalismo. Torcer para o Vitória não quer dizer que eu não poderia jogar por outra equipe. Eu sempre brinco que jogar no Flamengo e no Vasco eu não iria porque colocaria em risco a minha vida (risos).
Sua última passagem foi no futebol japonês. Como foi atuar lá?
Era uma oportunidade de vida, de conhecer um país que muita gente falava que era muito bom. E eu comprovei isso, assino embaixo e até digo mais, é bom demais! Foi incrível a experiência, a educação, aprender novos tipos de vida. Pra mim foi bem agradável e eu tenho uma agradecimento muito grande ao Matsumoto (equipe em que jogou).
As lesões foram o principal motivo para se aposentar?
Pesou muito. Se fosse qualquer outro tipo de lesão, estaria jogando ainda. Mas como foi algo mais grave, no tendão de Aquiles, que demora muito mais para recuperar, u decidi parar e dar um tempo para mim com a minha família. Mas foi só por isso, jogar futebol é muito bom, é o que eu gosto de fazer.
Pensa em seguir trabalhando com o futebol?
Eu penso em ficar no meio do futebol, ajudar outras crianças a alcançarem o sonho delas. O meu principal objetivo é chegar na base, mostrar aos garotos a chance que eles têm de vencer na vida e ser bem sucedido jogando futebol.