Na rua, os chinelos se transformam em traves, qualquer objeto pode virar uma bola e a garotada não se importa em perder a “tampa” do dedão do pé.
Da simples brincadeira entre amigos até o estrelato, muito esforço, suor e paixão fazem parte da rotina dos pequenos craques, que já são promessas para o futebol.
Com apenas 9 anos de idade, um aluno da escola Ronaldo Academy, em Vitória, tem dado passos importantes rumo ao sonho de ser um grande jogador de futebol.
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No mês passado, Danilo Mafumba surpreendeu a todos na chamada “peneira” do Vasco, no Rio de Janeiro. Entre os mais de 60 garotos avaliados, que buscavam uma vaga no time carioca, o capixaba precisou de pouco tempo para ter seu talento notado.
“Ele fez dois dias de avaliação, e no terceiro já foi chamado para a base”, resumiu a mãe, a gerente de RH Schirlene Mafumba, 42 anos.
O coordenador-geral do time pediu para que a família retornasse em janeiro para uma avaliação mais minuciosa e conferir o desempenho de Danilo em equipe. “Estamos otimistas”, contou a mãe.
E a paixão pelo esporte mantém Danilo comprometido. Nesse final de semana, o garoto já está, novamente, em terras cariocas. Ele foi convocado por um time de Guarapari para participar da Copa BR de Futsal, no Rio de Janeiro, no torneio que começou na última quinta-feira e termina hoje.
Para o pai, o professor de tênis Rodrigo de Almeida, 46, todo o esforço da família vale a pena.
“Nosso maior desafio é que nossos filhos consigam realizar os sonhos deles. Nós abrimos mão das nossas rotinas para conciliar com as deles”, revelou o pai.
Coordenador da Ronaldo Academy, onde Danilo treina, o técnico Francisco Henrique Santos atesta o talento do menino.
“Ele chegou aqui aos 4 anos, sem nunca ter feito escolinha. Já percebi o potencial diferenciado, trabalhamos fundamentos e a parte técnica. Desde então, ele só vem evoluindo”, relatou.
“Eu quero muito ser jogador profissional e entrar para a Seleção Brasileira”, revelou Danilo.
OLHANDO PARA O FUTURO
Sonhos nas alturas com os pés no chão
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Lucas Ferraz, 13 anos, iniciou no esporte pelo futebol de areia, aos 8 anos. Em 2019, fez a transição para o society.
O ano de 2022 foi marcante para ele. Na Copa Carlos Germano, foi destaque da competição. Depois, viajou para Minas Gerais, onde fez uma avaliação no time Atlético Mineiro.
Já Emanuel Neves, 12, começou na escolinha do pai, a Garoto Nota 10, aos 4 anos de idade. Desde então, já venceu importantes competições estaduais.
Ocupando a ala esquerda, o atleta jogou pelo time de base do Fluminense, em Vitória. “Meu sonho é ser jogador profissional e venho treinando bastante. É uma responsabilidade grande”, contou Emanuel.
Esporte promove autoconhecimento
Vitórias e derrotas, limites e superações, alegria e tristeza. Essas são apenas algumas das aprendizagens proporcionadas pelo esporte.
“Nós chamamos de propriocepção a capacidade da pessoa se identificar e entender o corpo dela no ambiente”, explicou a neuropsicopedagoga Mônica Guidoni.
A especialista lembra que pais e professores podem auxiliar crianças e adolescentes nesse processo.
“Os adultos devem priorizar o sentimento da criança, permitindo que ela se expresse, ouvindo os medos, as dores e as vontades dela dentro do esporte”, orientou.
A psicóloga especialista em crianças e educadora parental da Upuerê Educação Infantil, Talita Espíndula, lembra que, em famílias fanáticas por futebol, é comum que as crianças se identifiquem com a paixão dos pais. Mas isso não é regra.
“É preciso sair da caixinha e deixar a criança experimentar as suas possibilidades para conhecer os seus próprios gostos, também, no esporte”, orientou.
SONHOS
Também vale cuidado especial ao lidar com o sonho dos pequenos, especialmente na primeira infância, isto é, até os 6 anos de idade. Isso porque as crianças se projetam nos jogadores famosos.
“É importante apresentar para a criança o esforço que é feito para se chegar àquela posição de famoso”, aconselhou Espíndula.
Por outro lado, vivenciar o sonho de maneira saudável é um passo importante no desenvolvimento infantil.
“Essa fantasia, dependendo da idade, é fundamental para a criança, já o desestimular, não. É preciso trazer elementos reais que ela dará conta de compreender, mas sempre estimulando através da fantasia”, ponderou a psicóloga.
Sobre as derrotas, comuns ao esporte, Guidoni pontua que saber perder também é uma aprendizagem necessária.
“A frustração é necessária para o crescimento de qualquer pessoa. Estamos vendo uma geração que não sabe lidar com a perda. O esporte ajuda na aceitação”, explicou Mônica Guidoni.
Escolinhas já estão com vagas abertas
Espaço fundamental para o crescimento e o desenvolvimento dos atletas, as escolinhas podem dar origem a grandes jogadores. Na Grande Vitória, elas já estão de portas abertas para receber os mais diversos talentos.
Franquia da Inter de Milão, a Inter Academy possui 50 unidades espalhadas pelo País, sendo três delas aqui no Estado.
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Na escolinha, dois alunos, ambos chamados Davi, formam uma dupla dinâmica. Davi Gon, 11, e Davi Castro, 11, fazem parte da categoria sub 11, e garantiram bolsa de 100% devido ao bom desempenho em campo.
“Utilizamos a mesma metodologia dos profissionais italianos. Vimos que os dois se destacaram nos amistosos, nos treinos e nas competições”, contou o gerente da Inter Academy, Rodrigo Leão.
Além de compartilharem do mesmo nome e idade, os dois garotos já são promessas de sucesso. O técnico Matheus Henrique Sales, 24, revela os próximos passos dos meninos, que incluem uma viagem a Vespasiano, em Minas Gerais.
“Pelo desempenho dos dois, estamos marcando para janeiro uma avaliação no time Atlético Mineiro, em Minas Gerais”, informou.
Davi Gon ocupa a posição de volante e guarda com carinho três medalhas e três troféus conquistados até aqui.
Na sua primeira competição, a Copa Carlos Germano, disputada em Vitória no ano passado, Davi ajudou seu time a ser campeão e ainda foi eleito o melhor jogador pela organização do campeonato.
No jogo final, ele fez três gols, sendo um deles olímpico. Nesse ano, na Copa Capixabinha, fez sua estreia em um campo.
“A primeira vez que joguei no campo senti uma diferença muito grande, mas consegui me destacar”, contou.
O meia atacante Davi Castro já demonstrava habilidade com a bola desde os quatro anos de idade.
Hoje em dia, consagrado com troféu e uma caixa de medalhas, o garoto se divide entre a escola, os treinos em campo e o treinamento específico para o condicionamento de atleta.
“Meu sonho é ser jogador profissional. Quero começar no Corinthians e depois ir para Europa”, revelou Davi.
PROJETOS
As prefeituras da Grande Vitória e o governo do Estado oferecem projetos gratuitos para a promoção da cidadania por meio do esporte.
A Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport) informou que, por meio do programa Campeões do Futuro, já destinou materiais esportivos para mais de 50 municípios capixabas.