A jornada do corredor amador e professor aposentado de Educação Física Anselmo Perez, de 61 anos, pelos 78 municípios do Espírito Santo terminou neste sábado (18). Nesta semana, ele correu as três últimas cidades do roteiro.
Ao todo, Anselmo Perez percorreu 2.542 quilômetros em 14 semanas. O projeto começou no dia 9 de agosto deste ano, um dia depois do fim dos Jogos Olímpicos no Japão.
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“Esse percurso foi único e um dos meus maiores desafios na vida. Sou outra pessoa depois dessa experiência”, destacou o corredor.
Anselmo explica que o projeto foi pensado para ser um manifesto contra o sedentarismo e a favor da educação ecológica.
Mas, para executá-lo, Anselmo reforça que teve muito apoio. Isso porque a sua mulher, a também professora de Educação Física, Kamilla Bolonha Gomes, de 41 anos, o acompanhou de carro em todas as cidades.
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“Ela me deu suporte com alimentação e hidratação”, explica o corredor, que adotou como estratégia correr durante 15 minutos e caminhar por cinco.
Outro apoio que o casal recebeu foram de anfitriões do projeto, formado por corredores, amigos e ex-alunos. “Quando chegávamos aos municípios eles nos ajudavam com informações e estrutura física. E a rede foi aumentando com o passar do tempo”, conta Anselmo.
A preparação para fazer o trajeto começou bem antes: em janeiro deste ano e foi até junho. Durante esse período, ele treinou sozinho todos os dias, pela manhã, até completar 2.500 quilômetros corridos.
Já na estrada, durante os dias de corrida, Anselmo conta que acordava por volta das 4h30 e começava o percurso por volta das 7h. “Íamos de prefeitura a prefeitura de cada municipio”, destaca.
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Ao longo do projeto, ele disse que tirou muitos aprendizados. Um deles é apreciar as belezas do Estado e a importância de preservá-las para as próximas gerações. “O potencial turístico capixaba é muito grande”, ressaltou.
Anselmo disse ainda que passou a valorizar bem mais o presente. “Quando você fica muito preocupado, acabamos deixando de viver o momento”, destaca. Nesse sentido, Anselmo conta que, quando enquanto percorrias as cidades, aproveitava o tempo para meditar e “bater um papo com o Papai do Céu”.
Correu, em média 33 km por dia
Como ele corria
- A estratégia adotada por Anselmo para aguentar o percurso era correr durante 15 minutos sem parar e caminhar durante cinco minutos.
- O professor aposentado percorria os municípios, de prefeitura a prefeitura, durante o período da manhã e depois descansava na cidade.
O Trajeto
- Em toda cidade que passou, Anselmo Perez contou com a ajuda de voluntários e só não teve apoio em cinco municípios, do total de 78.
- No caminho da volta, as últimas cidades percorridas foram, na sequência: João Neiva, Aracruz, Ibiraçu, Fundão, Serra e Vitória.
Números
- Ao todo, Anselmo percorreu os 78 municípios do Estado.
- Ele saiu no dia 9 de agosto de 2021 da Praia de Camburi, em Vitória.
- Em média, Anselmo descansava cinco minutos a cada hora durante o percurso.
- Em média, ele correu 33 km por dia e 180 km por semana.
- O menor percurso que ele fez foi entre as prefeituras de Itapemirim e Marataízes, três quilômetros e 800 metros.
- O maior percurso foi entre a prefeitura de Águia Branca e Vila Pavão, 70 quilômetros e 410 metros.
Fonte: Anselmo Perez, professor.
Projeto de correr o Estado foi planejado desde 2017
A Tribuna – Quando você teve a ideia para esse projeto?
Anselmo Perez – Tinha um casal amigo nosso que percorreu todo o estado de Santa Catarina em 2011, correndo e pedalando. Aí tive a ideia de fazer algo parecido.
Entre 2017 e 2018 eu montei o projeto. Minha mulher inicialmente disse que eu estava ficando louco e que era impossível fazer isso. Mas eu me planejei para correr em 2020, só que, com a pandemia, deixamos para começar em abril de 2021, e depois acabamos adiando novamente para o segundo semestre deste ano.
O que foi feito para se preparar para essa maratona, além dos treinos?
Na verdade, essa preparação eu tenho há mais de 20 anos porque eu já treinava para outras provas de atletismo, principalmente para maratonas. Então, já tinha experiência e aptidão física para correr essa distância toda. Então eu já vinha correndo e, nos últimos 10 anos, sempre conseguia algum pódio, além de eu ter feito pesquisa estudando corredores.
O que foi mais desafiador enquanto estava correndo?
O desafio maior foi a incerteza dos locais que iríamos ficar e passamos muito aperto com sinal de internet. A gente também não sabia as condições em que encontraríamos de estrada, além do calor.
Quais são os planos agora?
Agora nós temos outros objetivos. Quero trabalhar com corrida como preparador e participar de provas. Além disso, é uma prioridade terminar o livro que estou escrevendo sobre o projeto e procurar uma editora para publicá-lo.