O Rio Branco venceu a primeira partida da semifinal do Capixabão por 4 a 3, mas pode ter um grande problema caso avance na competição. O árbitro Maicon da Silva relatou na súmula que objetos foram arremessados por torcedores alvinegros em campo na partida contra o Real Noroeste e, por isso, o clube deve ser julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-ES), sob risco de perder mando de campo se for finalista do campeonato.
O caso relatado ocorreu após o terceiro gol do time de Águia Branca, quando a torcida do Rio Branco arremessou copos, papéis e até pedras no gramado do estádio Kleber Andrade, sábado, interrompendo a partida por quatro minutos, como informado na súmula publicada na tarde desta segunda-feira (08) no site da Federação de Futebol.
O relato do árbitro afirma que os objetos foram arremessados em direção ao banco de reservas do Real Noroeste.
De acordo com o auditor do TJD-ES Aylton Cabral, a denúncia deverá ser encaminhada para julgamento, podendo ser enquadrada no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune o lançamento de objetos em campo com multa de R$ 100 a R$ 100 mil, e também no parágrafo primeiro do mesmo artigo, que fala sobre a punição com perda de mando de campo de uma a 10 partidas.
A súmula será encaminhada a partir de terça-feira (09) a um dos procuradores do TJD-ES, que irá analisar o caso para oferecer denúncia e solicitar julgamento a partir da semana que vem.
“Há a possibilidade de enquadramento no artigo 213 e no parágrafo primeiro, mas isso depende do procurador do caso. Assim, o Rio Branco vai ser citado para oferecer contestação para, no dia do julgamento, haver a sustentação oral, que é a defesa”, explica Cabral.
O regulamento do Capixabão prevê que, em caso de perda de mando de campo, o time punido precisa jogar a 30 km da sua cidade-sede. Além disso, para receber a final do campeonato é preciso que o estádio tenha capacidade para pelo menos 5 mil pessoas.
Ainda no domingo, após a partida, o Rio Branco se posicionou oficialmente sobre o caso, repudiando atitude do jogador Carlos Silva, reserva do Real Noroeste, que, segundo o clube capa-preta, teria feito “gestos obscenos para a torcida do Rio Branco, apontando e mostrando o órgão genital em direção à arquibancada”. Leia, a seguir, a súmula da partida e o posicionamento do Rio Branco.
Súmula da partida
“INFORMO QUE AOS 42 MIN DO 2T, APÓS O TERCEIRO GOL DA EQUIPE DO REAL NOROESTE FC, A TORCIDA DA EQUIPE MANDANTE (RIO BRANCO AC) ARREMESSOU AO CAMPO DE JOGO E EM DIREÇÃO AO BANCO DE RESERVAS DA EQUIPE VISITANTE DIVERSOS COPOS COM LÍQUIDOS, PEDRAS E PAPÉIS MOLHADOS. APÓS O PEDIDO DE ALGUNS ATLETAS DA EQUIPE DO RIO BRANCO PARA CESSAR OS ARREMESSOS, E A INTERVENÇÃO DA POLÍCIA MILITAR DO LADO DEBAIXO DA ARQUIBANCADA, A PARTIDA FOI REINICIADA. A PARTIDA FICOU PARALIZADA POR 04 MIN”
Posicionamento do Rio Branco
“O Rio Branco Atlético Clube repudia duas situações preocupantes e lamentáveis ocorridas no jogo do último sábado (6), contra o Real Noroeste, no Kleber Andrade, pelas semifinais do Capixabão.
1: Aos 40 minutos do segundo tempo, o atleta Carlos Silva, do Real Noroeste, fez gestos obscenos para a torcida do Rio Branco, apontando e mostrando o órgão genital em direção à arquibancada, em local com grande presença de mulheres, crianças e idosos.
ㅤㅤㅤ
A atitude teve como clara intenção de ofender e gerar ódio da torcida, sendo enquadrada, inclusive, no artigo 258-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que fala em “provocação ao público”, além de poder configurar na prática de “ato obsceno em lugar público”, previsto no artigo 233 do Código Penal.
2: Em mais uma partida, a arbitragem foi omissa nas faltas cometidas em cima do atacante Loco Abreu, que vem sofrendo com esse tipo de postura dos adversários e dos árbitros desde a primeira rodada do campeonato. Desta vez, o atleta levou um carrinho por trás, dentro da área, cometido pelo zagueiro Mailson, aos 26 minutos do primeiro tempo. O árbitro estava a poucos metros do lance.”
