
Natural de Vitória e criado no bairro Barcelona, na Serra, Rodrigo do Nascimento Pinto, o Rivaldo, 37 anos, é o “cara” do recém-criado time de vôlei do Corinthians, que conquistou a Taça Ouro no último fim de semana e, assim, vai disputar pela primeira vez a Superliga, principal competição do País.
Braço-direito do ex-líbero da seleção brasileira Serginho, o jogador é o capitão da equipe, em um projeto de parceria com a prefeitura de Guarulhos (SP).
Não só as feições do ex-craque dos gramados é que relacionam o futebol à vida do Rivaldo capixaba. O oposto do Corinthians/Guarulhos acredita que parcerias com clubes de futebol podem ser um bom caminho para o vôlei.
Aliás, isso não é novidade para ele. Entre 2000 e 2001, Rivaldo defendeu o Vasco.
“Falar de futebol é falar de fanatismo, de loucura… São clubes nos quais a gente entra e já existe uma torcida formada. Já existem obrigações nossas de comportamento, como não usar cores do time arquirrival, por exemplo. Se você não estiver bem preparado, isso se converte em uma pressão exagerada. Defender escudo do futebol é isso”, afirmou.
O capixaba foi convidado pelo líbero Serginho, com quem jogou pela seleção brasileira e foi campeão da Liga Mundial em 2009.
“Não tive nem o que pensar. Foi realmente uma coisa que veio já de cara. Espírito de moleque mesmo, estamos plantando uma semente hoje. O vôlei está nos primeiros três meses de um clube centenário e é mais um prêmio na minha carreira”, destacou Rivaldo.

Histórico
No Japão, foi eleito o melhor atleta na temporada 2005/2006. Na temporada 2008/2009, Rivaldo foi o melhor jogador da Liga Italiana: “Graças a Deus, na minha história tive muitas oportunidades. Para quem saiu do vôlei capixaba, sou um privilegiado de ter alcançado tudo como profissional”, comemora.
Já pensando no que virá após a consolidação do projeto no Corinthians, o jogador não deixa de lembrar suas raízes. “Tenho muito orgulho de onde eu nasci, muito orgulho do meu time do Álvares Cabral em 1995, 1996. Faço questão de não esquecer de onde eu saí”.
A TRIBUNA — Como é jogar com uma lenda como o líbero Serginho?
RIVALDO — Serginho é sem comentários. Multicampeão. Nas oportunidades que tive de apontar um ídolo, apontava ele. É ídolo de todo mundo, por ser um cara impressionante.
Além dele, quais foram os maiores craques com os quais você jogou junto?
Acho que em 1996, o Giovane Gavio foi ao Tartarugão, em Vila Velha, fazer um evento e o Álvares Cabral foi convidado. Peguei o autógrafo dele, tinha 15 anos. Seis anos depois, estava dividindo quarto com ele em hotel quando jogava pelo Suzano/SP. Fui campeão da Superliga com Nalbert. Joguei também com Ricardinho e Giba.
Como encara o desafio de defender o Corinthians?
Hoje tenho 22 anos de carreira. Os desafios são maiores, as dores também, enfim, e precisamos de estímulos para conseguir alcançar os objetivos. É o que eu vim buscar e é o que estou encontrando.

O Corinthians entra para ser campeão da Superliga?
O Corinthians tem uma história centenária. É o primeiro passo de um projeto e não é o momento de prometer nada. É o momento de aproveitar oportunidades. Existem equipes mais caras, grandes candidatos e o Corinthians vai pensar em uma semifinal, em classificação para os playoffs.
Como surgiu sua paixão pelo vôlei?
Foi na Olimpíada de Barcelona/1992.Muitos jogadores da minha geração dizem que a paixão veio daquela época. Eu tinha um primo mais velho que me colocou numa pelada de vôlei. Depois consegui um contato no Álvares Cabral que jogava basquete e que fez essa ponte com o Leandro Brachola (treinador).
O Brachola foi seu mentor?
Os que tiveram o privilégio de treinar ao lado dele, não apenas os vitoriosos, se tornaram pessoas melhores. Coloco minha vida como atleta nas mãos dele. O Corinthians é a 19ª equipe da carreira do jogador, que também atuou por times da Itália, do Japão e da Rússia.
Reportagem de Acácio Rodrigues