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“Ronaldinho do Irã” relata clima de tensão de jogadores no país

Aliviado por hoje estar no Brasil, mas muito preocupado com os ex-companheiros de futebol iraniano. Conhecido como “Ronaldinho do Irã”, o capixaba ...

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Edinho fez muito sucesso no futebol iraniano e está preocupado com a crise (Foto: Acervo pessoal)

Aliviado por hoje estar no Brasil, mas muito preocupado com os ex-companheiros de futebol iraniano. Conhecido como “Ronaldinho do Irã”, o capixaba Edinho é ídolo no país asiático e, diariamente, tem orado e conversado com os amigos que ainda atuam e vivem no país. O clima relatado por eles é de apreensão e de incertezas.

A crise entre Irã e os Estados Unidos se intensificou nas últimas semanas, em razão do ataque ordenado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que resultou na morte do general Qasem Soleimani, chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irã, e da resposta iraniana, com mísseis que atingiram duas bases norte-americanas no Iraque, na última terça-feira (7).

Atualmente jogador do Vitória, o meia Edinho viveu nove anos no Irã, onde defendeu dois clubes, Mes Kerman e Tractor Sazi. Ele marcou 91 gols no total, sendo o maior artilheiro estrangeiro da liga iraniana, e foi campeão do primeiro turno do Campeonato Iraniano de 2014, pelo Tractor Sazi.

Edinho comemora gol pelo Tractor Sazi (Foto: Divulgação/Tractor Sazi)Além do sucesso e do apelido de “Ronaldinho do Irã”, o capixaba também fez muitos amigos, com quem tem conversado todos os dias, como os jogadores iranianos e o brasileiro Magno Batista, volante alagoano que defende o Paykan FC, e os portugueses Rui Tavares, preparador de goleiros, e Miguel Teixeira, auxiliar técnico, que trabalham no Sepahan.

“Estou preocupado porque isso pode sim virar uma coisa muito grave. Eles estão apreensivos. Eles têm passado que o clima está aquele clima ‘tranquilo’, mas que a qualquer momento a coisa pode virar. Os brasileiros estão no Brasil, mas os portugueses estão lá neste momento, trabalhando com o alerta ligado. Eles falaram com a imprensa portuguesa que, se a coisa complicar, eles vão sair do país”, conta.

Os brasileiros que atuam no Irã ainda não voltaram de férias e aguardam a resolução da crise para se reapresentarem aos clubes.

“O Magno já joga no Irã há oito anos, então ele está mais tranquilo. Mas é o primeiro ano do Mazola (atacante paulista do Tractor Sazi) e ele está mais assustado. Os jogos começariam dia 31, mas já era para os times estarem treinando. O Magno ainda pensa em continuar lá, porque tem contrato”, explica.

“Se eu estivesse lá hoje, claro que estaria preocupado pela situação e ao mesmo tempo em situação de alerta. Mas eu já teria mandado a minha família de volta ao Brasil”, emenda o jogador, que é casado com Flávia e pai de dois filhos, Endry, de cinco anos, e Angel, de seis.

A preocupação de Edinho, aos 37 anos, é que uma guerra se instale entre Irã e Estados Unidos. Ele tem pedido a Deus, diariamente, para que isso não aconteça.

“Eu tenho muita fé e peço a Deus para que isso não venha acontecer porque muitas pessoas podem perder as vidas por isso. O Irã é meu segundo país. Eu gosto mais de morar lá do que de morar aqui, para ser sincero, até pela questão de segurança nas ruas. Lá ninguém te assalta, ninguém mexe com você. Nunca estive com o (Qasem) Soleimani, não posso falar da índole dele, mas no tempo que vivi lá eu só conheci pessoas espetaculares, pessoas do bem”, conclui o jogador, que morou em Kerman e Tabriz. 

Edinho atualmente defende o Vitória e vai disputar o Capixabão de 2020 (Foto: Alberto Borém/Vitória FC (24/08/19))

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