
Uma acusação de abuso sexual levou ao afastamento do técnico Fernando de Carvalho Lopes, 38 anos, da seleção brasileira masculina de ginástica artística. O afastamento ocorreu na sexta-feira, 8, a menos de 30 dias para o início da Olimpíada.
O Ministério Público do Estado de São Paulo vai investigar a acusação, e o caso corre em segredo de Justiça na promotoria de São Bernardo do Campo. A assessoria de imprensa do MP-SP destacou que todos os procedimentos que envolvem violência sexual são sigilosos, e por isso, o órgão não se manifestará.
A acusação contra o técnico foi feita por pais de um ginasta, que até recentemente treinava com Lopes. O ginasta, com menos de 18 anos, e um atleta da seleção prestaram depoimento aos promotores, e pessoas próximas ao ginasta e ao técnico foram convocadas para depor. A promotoria pediu aos pais do ginasta que não comentem o caso durante o desenvolvimento do inquérito.
Lopes nega a acusação e afirma estar com a “consciência tranquila”. “Por enquanto não tenho nada, não sei de nenhum denúncia feita. Nenhum advogado meu localizou nada sobre isso”, afirmou. “Estou aguardando um posicionamento legal. Até agora, foi só fofoca”.
Ele também teria sido afastado preventivamente do ADC São Bernardo, clube em que trabalhava, por uma recomendação da secretaria de esportes da cidade. Segundo a secretaria, o técnico foi barrado por estar em “desacordo com a política de esporte do município”.
O técnico trabalhava, há cerca de 10 anos, em projetos de parceira entre clubes e a prefeitura de São Bernardo. Este trabalho o levou em 2014 a comandar o treinamento de Diego Hypolito, 30, bicampeão mundial de solo e classificado para a Olimpíada do Rio.
O atleta brasileiro também optou por não treinar mais com o técnico, e de forma cordial, terminou sua preparação com Lopes. Na reta final de preparação para a Olimpíada, Diego passou a treinar em São Caetano do Sul com Marcos Goto, também técnico de Arthur Zanetti.
O coordenador da seleção masculina, Leonardo Finco, afirmou que o afastamento do técnico é para “proteger todos”, inclusive Lopes. Finco destacou ainda que o Comitê Olímpico do Brasil está a par do caso. “Estamos em uma fase importante da preparação para os Jogos e não queremos que nada interfira até que tudo se esclareça”, disse.