A luta pela vida continua para o capixaba Roberto Vieira, de 54 anos. Nesta segunda-feira (17), o organizador de excursões completou 75 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI), do Hospital Miguel Couto, na zona sul, do Rio de Janeiro. A família dele informou que seu estado de saúde segue sem evolução e ele não reconhece os parentes.

Imagens de dentro do ônibus da excursão organizada pelo capixaba mostram que ele tentava afastar os torcedores, mas acabou ferido na cabeça.
O aposentado Josias Vieira, de 69 anos, é irmão de Roberto e tem ido ao Rio para acompanhar as notícias do estado de saúde do organizador de excursões. “O médico falou que foi muito grave a pancada na cabeça dele. Temos que aguardar. Ele abre o olho e depois fecha de novo. Teve pouquíssima melhora. Está na mão de Deus, porque é difícil”, disse.
Josias relatou que há dias em que Roberto apresenta um pouco de febre e em outros, não. O aposentado explicou que isso acontece porque o setor onde o irmão está internado faz muito frio. “Estamos na esperança de ele reagir”, afirmou Josias.
Já a parte neurológica não demonstra nenhuma evolução até o momento, informou a família. O aposentado contou que Roberto abre os olhos e escuta quando é chamado por alguém no quarto, porém não consegue reconhecer a pessoa nem interagir com ela.
Josias tem se revezado com outro irmão nas idas ao Rio de Janeiro para acompanhar Roberto no hospital. Embora a unidade onde o capixaba está internado seja pública, os irmãos precisam arcar com despesas de passagem, alimentação e hospedagem – eles não podem ficar no hospital, já que o organizador de excursões está no CTI e não pode ter acompanhante no setor.
Prisões
Três uruguaios suspeitos de terem agredido Roberto seguem presos preventivamente no Rio de Janeiro. A defesa dos torcedores entrou com pedido de habeas corpus, que foi negado por desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio.
Na decisão, a relatora do pedido, a desembargadora Suemi Cavalieri, lembrou que Roberto foi atacado pelos três torcedores e outros suspeitos que não foram identificados, que usaram uma garrafa e cadeiras, além de terem dado chutes e socos, para agredir a vítima.
“Além disso, os réus possuem nacionalidade estrangeira, sendo certo que residem no Uruguai, sem qualquer vínculo com o Brasil. Nesse contexto, a custódia cautelar é medida necessária e imprescindível para garantir a aplicação de lei penal”, justificou a desembargadora em sua decisão.