Vendedoras, auxiliares, estudantes e até vigilante. Única representante do Estado na Série A2 do Brasileirão Feminino, a equipe do Vila Nova tem profissionais que trabalham em diferentes áreas. Nenhuma delas sobrevive exclusivamente do futebol.
Mas o trabalho que elas terão a partir do próximo fim de semana deve ser o mais importante do ano. Eliminadas na fase de grupos da competição no ano passado, as meninas têm um desafio ainda maior para sonhar com o acesso.

“Sem dúvida, vai ser o trabalho mais importante. Queremos fazer um bom Brasileiro, com todas empenhadas em fazer uma boa competição e sermos bem vistas”, comentou a atacante Thais Ribeiro, autora de dois gols na competição do ano passado.
Os compromissos profissionais das jogadoras do Vila Nova chegaram a influenciar a equipe na disputa em 2018.
Com todos os jogos no meio de semana, teve atleta que não conseguiu liberação no emprego para viajar com o time em compromissos fora de casa.
Uma situação diferente da que o técnico Luciano Tadino terá este ano. Com disponibilidade de datas, o Vila Nova deverá ter seus compromissos longe do Espírito Santo sempre nos fins de semana.
O primeiro deles, por exemplo, será contra o Botafogo, no Rio, e acontece em um domingo (31).
“Estamos muito confiantes que iremos passar de fase. Esperamos já fazer uma boa partida de estreia para ganhar confiança. E quando viermos jogar em casa, a nossa torcida poderá comparecer e nos apoiar”, projetou o treinador.
Por enquanto, o time encara seus próprios desafios para chegar bem no Brasileiro. Treino com o time todo, só no fim de semana, em dois períodos. O que não é visto como obstáculo pelas jogadoras.
“A dificuldade é grande. Durante a semana treina quem pode e tem o fim de semana para juntar todo mundo. A tática está sendo diferente do ano passado, mas está dando certo”, disse Thais.
Experiência da temporada passada ajuda a sonhar
O Vila Nova reencontra em seu grupo dois adversários do Brasileiro A2 do ano passado. América/MG (derrota por 2 a 0) e Duque de Caxias (vitória por 5 a 1) foram rivais de chave e, além disso, as meninas também sabem como é a disputa na segunda divisão.
Então, contra Botafogo, Chapecoense e São Paulo, a ideia é utilizar todo o conhecimento da competição para conquistar resultados importantes e chegar à classificação para o mata-mata.
“Já temos a experiência do ano passado, quando pecamos muito na finalização em alguns jogos, a parte física um pouco na reta final. Este ano estamos melhor preparadas e mais experientes”, considerou a capitã Kamila, lateral do Vila.
“É algo sempre novo atuar nesses campeonatos grandes. Mas ajuda, porque já tirou aquele peso de ser um Brasileiro e já sabemos o nível das equipes. Faz diferença tanto tecnicamente quanto psicologicamente”, completou Thais.
A meia Luana, autora de quatro gols no ano passado, confessa que o Vila Nova entra sem muita informação sobre os “grandes” do grupo. Mas que isso pode ser bom. “Vamos ver como esses times vêm. Vamos jogar para ganhar. É melhor não conhecer muita coisa, dessa forma a gente não cria expectativa”, comentou.

Para conseguir a classificação para as oitavas de final do Brasileiro A2, o Vila Nova terá que parar uma atacante que tem história para contar. Agora no São Paulo, Cristiane é a maior artilheira dos Jogos Olímpicos — entre homens e mulheres —, com 14 gols, e vai exigir atenção especial das capixabas.
O encontro já tem data marcada para acontecer: no feriado do dia 1º de maio, no Espírito Santo.
“Para mim, vai ser um sonho. Sempre fui muito mais fã dela, apesar de a Marta ser fora do comum. Quando descobri que o São Paulo estaria na competição e ela estava contratada, não tive nem reação”, contou a lateral Kamila, que certamente vai auxiliar na marcação à craque são-paulina.
“Estamos mais entusiasmadas em pegar o São Paulo que os outros times. Para a gente, será um privilégio”, completou Thais.

