Depois de um dia de caos, com radicalização da greve impedindo o direito de ir e vir, 11 ônibus apedrejados e passageiros feridos durante ataques em coletivos, a paralisação dos motoristas e cobradores, iniciada na última segunda-feira, chegou ao fim. Mas os abusos cometidos serão investigados pela Polícia Federal.
O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES), que requisitou que seja instaurado um inquérito para apurar a autoria dos crimes contra organização do trabalho ocorridos durante o movimento paredista dos rodoviários.

Somadas, as penas previstas podem chegar a quatro anos de prisão e multa, se condenados. A investigação será conduzida pela Polícia Federal por causa do tipo do crime. Segundo o MPF-ES, compete à Justiça Federal processar e julgar crimes contra a organização do trabalho. O prazo para conclusão das investigações é de 90 dias.
A Polícia Federal informou que, apesar de a greve ter acabado, os danos causados precisam ser apurados com rigor.
Em audiência de conciliação, os rodoviários conseguiram aumento de 4,6% no salário, no tíquete-alimentação e no plano de saúde. Assim, os ônibus voltaram às ruas gradativamente, mas na noite de ontem havia muitas queixas de usuários. A promessa é que hoje tudo esteja normalizado.
Fontes do órgão disseram que irão analisar os fatos com muita cautela, pois isso servirá de exemplo para inibir eventuais radicalizações de movimentos grevistas.
A investigação buscará identificar autor ou autores que praticaram condutas consideradas reprováveis, como atos de vandalismo, e aqueles que ordenaram ataques.
Para auxiliar nas investigações, todas as provas serão fundamentais. Elas incluem imagens de câmeras dos ônibus e até filmagens de celulares feitas por testemunhas.
Procurado na terça, Lúcio Lima, porta-voz do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado (Sindirodoviários), limitou-se a dizer que apoia as investigações e deseja que os culpados sejam punidos.
Veja a reportagem completa, sobre os efeitos da Greve dos Rodoviários no Estado, no Jornal A Tribuna desta quarta-feira (05).
