O governo venezuelano rejeitou a decisão dos sócios fundadores do Mercosul de impedir que o país assuma a presidência do bloco. A rejeição da decisão foi anunciada pela chanceler venezuelana Delcy Rodríguez. A decisão foi tomada por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e anunciada na noite de terça-feira, 13.
“A Venezuela, em exercício pleno da Presidência pro tempore do Mercosul, e no resguardo de seus Tratados, rejeita a declaração Tripla Aliança”, publicou a chanceler em seu Twitter. “No Mercosul as decisões são adotadas por consenso e respeitando as normas de funcionamento. Não permitiremos violações dos Tratados”.
A chanceler disse ainda que a declaração torna vulnerável a legalidade da organização e que “pretender destruir o Mercosul mediante artimanhas antijurídicas é reflexo da intolerância política e do desespero de burocratas”.
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai entraram em acordo para impedir a presidência da Venezuela e decidiram que os quatro países vão conduzir a liderança do bloco de forma conjunta. Segundo o Itamaraty, os países fundadores do Mercosul também ameaçam suspender a República Bolivariana se, até o dia 1º de dezembro, o país não se adequar às normas e acordos vigentes no Mercosul. O prazo para a Venezuela cumprir essa obrigação terminou no dia 12 de agosto.
O ministro das Relações Exteriores, José Serra, informa em nota do Itamaraty que a declaração foi adotada “em razão do descumprimento, pela Venezuela, dos compromissos assumidos no Protocolo de Adesão ao Mercosul, assinado em Caracas em 2006, especificamente no que se refere à incorporação ao ordenamento jurídico venezuelano de normas e acordos” vigentes no bloco.
A decisão dos países fundadores do Mercosul foi comemorada pela oposição venezuelana como uma derrota do governo de Nicolás Maduro.