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Ministra belga quer transformar traficantes em autônomos para cobrar impostos

De acordo com Simonet, são necessárias "consequências financeiras concretas para as pessoas que exercem atividades ilegais"

Ministra belga quer transformar traficantes em autônomos para cobrar impostos
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Agência Folhapress

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A ministra da Bélgica para Pequenas e Médias Empresas e Emprego, Eléonore Simonet, fez uma proposta inusitada nesta segunda-feira (30): equiparar traficantes de drogas automaticamente ao status de trabalhadores autônomos para que passem a pagar contribuições sociais.

“Com esta abordagem, atingiremos os criminosos onde mais lhes dói: o bolso”, afirmou a ministra belga em comunicado. Para Simonet, esse mecanismo representa o fim da impunidade e faz parte de um “plano para as pequenas e médias empresas” que está sendo elaborado.

De acordo com Simonet, são necessárias “consequências financeiras concretas para as pessoas que exercem atividades ilegais”.

A ideia dessa medida é que, diante de uma infração penal ou uma condenação, o órgão responsável (Instituto Nacional para a Segurança Social dos Trabalhadores Independentes, Inasti em francês) proceda ao registro automático de um traficante de drogas.

Assim, o Inasti exigiria as contribuições sociais ou requisitaria o bloqueio de direitos (como seguro-desemprego, bolsas de estudo ou ajudas para aluguel) das pessoas envolvidas.

Newsletter Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo *** O objetivo da proposta é duplo: atingir financeiramente os criminosos, obrigando-os a pagar contribuições, e impedir que se beneficiem indevidamente de auxílios e vantagens sociais.

“A impunidade nunca pode ser uma opção. Ao obrigar os criminosos a pagar contribuições sociais e fazê-los perder todos os benefícios, garantimos que ninguém escape das consequências de seus atos e atuamos como complemento da Justiça”, disse Simonet no comunicado. “Tornamos nossa sociedade mais segura e combatemos firmemente os maus elementos.”

A revista belga Le Vif afirmou que a proposta causou surpresa, mas faz parte de um esforço mais amplo para tornar o combate financeiro ao crime organizado mais eficaz, segundo a ministra. O semanário ressaltou que traficantes condenados passariam a arcar com todas as obrigações fiscais e contribuições exigidas de trabalhadores independentes.

A emissora pública RTBF, da região da Valônia, explicou que a medida prevê o pagamento de contribuições sociais atrasadas, impostos e a devolução de benefícios recebidos indevidamente, com possibilidade de cobrança retroativa de até cinco anos.

Quem for pego praticando atividades ilícitas, como o tráfico de drogas, teoricamente perde o direito a vários benefícios sociais aos quais eventualmente tenha direito, como o seguro-desemprego.

A equipe da ministra informou que ainda é necessário examinar como organizar a transmissão de informações entre a polícia e o Poder Judiciário para o Inasti, além de revisar o plano do ponto de vista legal.

Uma porta-voz do gabinete de Simonet disse que o objetivo da proposta é “combater a impunidade obrigando os criminosos a pagar contribuições sociais, e não legitimar suas atividades”.


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