Uma mulher acusa o juiz Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump à Suprema Corte, de ter participado de uma festa em 1982 onde ela teria sido vítima de estupro coletivo.
Julie Swetnick, moradora de Washington, teve a identidade revelada nesta quarta (26) e é a terceira pessoa a acusar o magistrado de algum tipo de má conduta sexual.
Fazem parte da lista Christine Blasey Ford, que o acusa de tê-la atacado sexualmente durante uma festa de estudantes na década de 1980, e Deborah Ramirez, colega de faculdade do juiz que teria sido forçada a tocar em seu pênis.
A nova vítima não disse que Kavanaugh participou do estupro. Ela acredita que, durante o ato, estava sob o efeito de drogas que teriam sido colocadas em sua bebida.
Swetnick afirmou ainda que testemunhou que Kavanaugh, então adolescente, beber excessivamente em festas e que ele se envolveu em “comportamentos abusivos e fisicamente agressivos” contra garotas.
Segundo ela, ele e amigos tentavam embebedar meninas para que pudessem ser estupradas de forma coletiva por vários homens.
Nesta quinta (27), Kavanaugh e Ford serão ouvidos no Senado sobre as acusações, como parte do processo de confirmação do juiz para a Suprema Corte.
O Comitê do Judiciário do Senado afirmou que a audiência de quinta-feira está mantida. “Já estamos olhando para isso [as acusações]”, disse o presidente do comitê, Chuck Grassley.
Kavanaugh afirmou que as alegações de Swetnick nunca aconteceram.
“Isso é ridículo e fantasioso”, disse em nota divulgada pela Casa Branca. “Não sei quem é essa pessoa, e isso nunca aconteceu.”
Trump afirmou que Kavanaugh está sendo alvo de “falsas acusações”.
Durante a audiência, Kavanaugh deve dizer que, apesar de às vezes ter bebido demais e de “não ter sido perfeito” no ensino médio, não é culpado.
“Eu bebia com meus amigos, geralmente aos fins de semana. Às vezes eu bebia demais”, diz um trecho do depoimento que fará amanhã, divulgado nesta quarta.
“Eu disse e fiz coisas no ensino médio que me fazem estremecer agora.”
Ele vai reiterar que “nunca fez nada remotamente parecido” com o que Ford alega.
Desde quando as acusações vieram à tona, no último dia 16, ele tem negado o envolvimento em más condutas sexuais.
“Não estou questionando que a Dra. Ford talvez tenha sido atacada sexualmente por alguém em algum lugar e em algum momento”, diz o texto. “Mas eu nunca fiz aquilo com ela ou outra pessoa.”
O juiz também deve dizer que ataque sexual é algo “moralmente errado” e que contraria seus valores católicos, e que as acusações são tentativas de última hora para barrar a sua confirmação para a corte.