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AFEGANISTÃO

Talibã manda decepar cabeças de manequins

Ordem partiu de uma interpretação restrita da lei islâmica feita pelo grupo: bonecos são representação proibida da forma humana

Manequins foram decapitados pelos donos de lojas na cidade de Herat, após determinação do novo governo

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O grupo fundamentalista Talibã ordenou aos vendedores de roupas em Herat, no Oeste do Afeganistão, que arranquem as cabeças dos manequins em suas lojas com o argumento de que sua exibição é contrária à lei islâmica.

A nova medida se soma a uma série de determinações do Talibã para impor sua visão rígida do Islã, que limita as liberdades públicas, especialmente para mulheres e meninas.

“Pedimos aos lojistas que cortassem as cabeças dos manequins porque é contra a lei da Sharia — disse à imprensa, nesta quarta-feira (5), o chefe do serviço de Promoção de Virtudes e Prevenção do Vício em Herat, Aziz Rahman, que comanda o departamento na cidade de cerca de 600 mil habitantes, a terceira maior do país.

Alguns comerciantes tentaram contornar a ordem cobrindo a cabeça dos manequins, mas isso não satisfez o Talibã.

“Se eles apenas cobrirem a cabeça, ou esconderem o manequim, o anjo de Alá não entrará na loja nem em sua casa para abençoá-los”, disse Rahman.

Desde terça-feira (4), um vídeo tem circulado nas redes sociais mostrando homens serrando as cabeças de manequins femininos de plástico. 

Vários comerciantes da Herat foram entrevistados e expressaram seu descontentamento com a atitude do novo governo.

“Como você pode ver, cortamos as cabeças dos manequins na loja” lamenta Basheer Ahmed, reclamando que cada um de seus manequins lhe custou cerca de US$ 47 (R$ 266,49).

Até agora, o Talibã não emitiu nenhuma ordem nacional sobre os manequins, que não têm lugar em sua interpretação restrita da lei islâmica, que proíbe as representações humanas. 

Durante seu primeiro regime, de 1996 a 2001, o Talibã destruiu várias estátuas históricas de Buda, uma ação que chocou  as autoridades em  arqueológica.

Desde que retornaram ao poder, em agosto do ano passado, eles prometeram ser mais moderados na tentativa de mudar sua imagem internacional e receber ajuda humanitária. 

Apesar disso, os talibãs impuseram novas restrições, especialmente às mulheres e meninas.

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