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Mano Brown: “Orgulho negro é uma coisa que assusta o brasileiro”

“É um disco bom, mas poderia ser bem melhor”, ri Mano Brown sobre Boogie Naipe, primeiro álbum solo que ele lançou, no fim de 2016, e vem levando à ...

Mano Brown: “Orgulho negro é uma coisa que assusta o brasileiro”
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“É um disco bom, mas poderia ser bem melhor”, ri Mano Brown sobre Boogie Naipe, primeiro álbum solo que ele lançou, no fim de 2016, e vem levando à estrada ao longo do últimos meses, incluindo o show de grande porte no último Lollapalooza Brasil (veja imagens da apresentação no vídeo abaixo). “Ele foi feito em épocas diferentes e nem sempre nas melhores condições, foi ‘roots’ mesmo. É claro que um ano depois você fala: ‘Ah, poderia ter feito algumas coisas melhor’. Isso que me dá fome de fazer outro. Eu abri uma possibilidade.”

Com o trabalho solo, o principal MC dos Racionais entrou de cabeça nas influências de soul, R&B e funk – ou simplesmente “música preta”, como ele define –, mesclando-as com o estilo de rimar que o eternizou no hip-hop e o clima de baile black da periferia brasileira. Foi onde apareceu com mais clareza o Brown romântico, devoto de Jorge Ben Jor, Tim Maia e Marvin Gaye, explorando sonoridades orgânicas de banda, com guitarras e vocais melódicos, feitos por ele, pelo parceiro de longa data Lino Krizz ou por convidados do naipe de Seu Jorge.

A apresentação conceitual de Boogie Naipe rodou o Brasil em 2017 e chega à TV com um episódio inteiro do programa Manos e Minas, da TV Cultura – a partir das 20h deste sábado, 7 –, com uma banda de 14 músicos e um cenário de boteco, no qual Brown normalmente abre um whisky e vai bebendo conforme a apresentação se desenvolve. “Temos uma tendência a entrar nesse jogo suicida, mas na banda é assim: sem um, o outro não funciona e eu sem eles não sou nada. Me sinto dividindo os méritos, não gosto de injustiça. Perto de mim, não gosto de desequilíbrio.”

Com o anúncio da pausa por tempo indeterminado dos Racionais, Boogie Naipe passa a ser o projeto principal de Brown. Ele considera que o disco solo foi mais bem recebido até do que Cores & Valores, mais recente LP do grupo de Brown, que saiu em 2014 focado em sonoridades eletrônicas, canções mais curtas e batidas de trap. “[Cores & Valores] Foi uma coisa estranha, quando lançou parecia que nem tinha lançado”, analisa. “Nunca foi encarado como um disco dos Racionais, é rejeitado pelos próprios fãs. Só que esse outro lado é interessante pra caralho, você conseguir ser popular e cult. Não entenderam, é difícil. Orgulho negro é uma coisa que assusta o brasileiro. Negro orgulhoso assusta.”
 

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