“Para começar, aquilo não é um documentário, é uma mentira”, golpeia Mitch Winehouse sobre o recente documentário que aborda a vida de sua filha Amy. Dirigido por Asif Kapadia, o mesmo que fez o recente “Senna” (2010), sobre o piloto brasileiro, o filme estreou este ano causando polêmica.
O longa conta a história da vida da cantora morta em 2011 em tons crus, enfatizando a decadência frente ao álcool e às drogas, logo após o súbito estrelato. E pinta com cores nada agradáveis o retrato do pai de Amy, o ex-taxista que retomou a carreira de crooner, ensaiada na juventude, e agora faz shows de jazz pelo mundo.
“O problema nem é a forma como me retratam”, disse Mitch ao UOL por telefone, diretamente do Rio de Janeiro –ele está em turnê pelo Brasil. “Se fosse só por mim, eu não me preocuparia. Paciência, é o tipo de coisa que sempre vai acontecer”, explica. “O problema é que o filme é feito para causar polêmica”.
O pai da cantora é retratado como se fizesse vista grossa para seus problemas com álcool e com as drogas, tirando-a da clínica de reabilitação em que estava internada para que ela gravasse seu grande disco, “Back to Black”, em 2006. Mitch explica que o documentário não distorce a realidade e funciona como um bom filme –até chegar em 2008, o ano em que a cantora começa a fazer sucesso.
“A partir de 2008, parece que a vida dela mudou para pior. Há uma Amy feliz e de bem com a vida que, a partir do sucesso, desaparece. E isso não é verdade. Não há nenhuma menção aos amigos próximos dela, ao namorado com quem ela queria se casar. Vocês, do Brasil, deviam se perguntar onde estão os shows que ela fez aqui, poucos meses antes de morrer. Foram ótimos shows e ela estava feliz, queria que eu conhecesse o Brasil, inclusive. Mas isso não aparece no filme, só os shows em que ela estava mal”.
As lembranças não são exatamente as mesmas compartilhadas pelos fãs brasileiros, que viram a cantora apresentar shows curtos e com a voz ainda não recuperada dos excessos dos anos anteriores.
Ainda assim, a visita da cantora ao Brasil é um dos motivos para Mitch estar passando pelo país com sua turnê. “Ela me falava: “Pai, você tem que ir ao Brasil, as pessoas lá são incríveis, mas também passam por muitas dificuldades'”, contou ele, que se apresentou no domingo (15) em Porto Alegre e faz show nesta segunda-feira em São Paulo, no Teatro Bradesco. As apresentações seguem depois para o Rio de Janeiro (18) e Natal (20).
