
O ano era 1997. A internet era discada, celular era uma tecnologia que ainda engatinhava e a forma de consumir notícias se baseava em televisão, jornais, revistas, rádio e fotografia analógica (com filme). Naquele universo não globalizado, todas as câmeras e microfones apontavam para a mulher mais famosa do mundo: a princesa de Gales. E Diana soube aproveitar sua fama para dar visibilidade a causas humanitárias. A mais famosa delas foi a das minas terrestres.
Em janeiro de 1997, meses antes de sua morte, Diana visitou Angola e caminhou por um campo contaminado por elas, atraindo a atenção do mundo. Seu feito não demorou a colher frutos: 163 países, incluindo o Brasil, se comprometeram, através do Tratado de Ottawa (Canadá), a extinguir todas as minas terrestres em seus territórios até 2025.

Passados esses 20 anos, o saldo de mortes também caiu vertiginosamente de 20 mil para 2 mil ao ano, segundo o Serviço de Ação de Minas da Organização das Nações Unidas (UNMAS), embora o problema ainda não tenha sido resolvido em pelo menos 40 países, incluindo Angola, a nação que recebeu a visita da princesa. O país foi escolhido em virtude de seu histórico de guerra civil e por ter o maior número de amputações de vítimas de explosões de minas terrestres.
Após uma caminhada dentro de um corredor de segurança no campo ativo de minas de Huanbo, Diana apertou um botão que detonou um dos explosivos diante de 100 jornalistas internacionais. As imagens correram o mundo e mostraram o risco que as pessoas corriam todos os dias e o sofrimento de homens, mulheres e crianças amputados.
Atualmente, o problema das minas não tem se agravado no mundo, segundo o UNMAS. Mas grupos extremistas como Boko Haram, Al-Shabab e Estado Islâmico têm utilizado em seus conflitos outro tipo de armamento que tem criado um problema semelhante: trata-se do IED, uma espécie de artefato explosivo improvisado ou bomba caseira.
Dentre os países afetados pela ação com esses explosivos improvisados estão Afeganistão, Síria e Iraque, com número crescente de mortos.

Além da causa das minas terrestres, Diana também dedicava seu tempo às vítimas de Aids no mundo todo, tendo sido a primeira pessoa pública fotografada tocando um paciente terminal com o vírus HIV. Com sua fortuna, também financiou inúmeras instituições que ajudavam sem-tetos, viciados em drogas e idosos. A dedicação às pessoas aproximou a princesa de nomes importantes da cena política, cultural e humanitária da época, como o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela; o cantor Michael Jackson, de quem se tornou amiga; e de Madre Teresa de Calcutá.
Texto e edição: Erika Santos