Pela segunda vez em quatro dias, a Polícia Civil irrompeu na Vila Olímpica no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (8) para prender um atleta acusado de abuso sexual. O preso, dessa vez, foi o porta-bandeira da Namíbia, o boxeador de 22 anos Jonas Junius, que foi levado à delegacia acusado de violentar uma camareira.
A agressão aconteceu, segundo a vítima contou à polícia, no domingo, próximo do quarto do boxeador. Junius abordou a mulher pelas costas enquanto ela limpava, beijou seu pescoço e tentou beijá-la na boca. Depois, segundo a polícia, fez gestos obscenos indicando que queria dar dinheiro em troca de sexo.
No Brasil, esse tipo de agressão, mesmo não tendo se consumado o ato sexual, pode ser enquadrada no crime de estupro, com pena de até dez anos de prisão. “Ele teve a prisão decretada por estupro e não assédio sexual. “O crime é estupro”, disse a delegada Carolina Salomão.
Junius é o segundo atleta e boxeador que irá preventivamente à prisão pelo mesmo motivo e perderá a competição mais importante do mundo do esporte.
O atleta lutaria na noite de quinta-feira com o francês Hassan Anzille, mas vai precisar de um habeas corpus para comparecer. No caso de Hassan Saada, preso na sexta-feira, por assediar duas camareiras, sua liberação foi negada e ele segue na prisão.
Os casos de estupro no Rio estão longe de serem isolados. O estado foi cenário em 2015 de 4.128 estupros, cerca de 9% dos estupros denunciados em todo o Brasil se considerados os últimos dados de 2014 do Anuário de Segurança Pública. O número revela que, a cada duas horas, uma mulher é estuprada no Rio de Janeiro.