
Seja para lazer, trabalho ou esporte, a bicicleta está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Essa é uma mudança simples de hábito que pode trazer inúmeros benefícios para o indivíduo e para o mundo.
Melhoria na mobilidade urbana, menor emissão de poluentes, engajamento em uma atividade física, economia… Os motivos para adotar a bike no dia a dia são diversos. E até quem adota a “magrela” por uma razão específica sente os reflexos em outros aspectos da vida.
Um exemplo é o diretor de arte Kemel Mellen Neves Melo, de 30 anos, que recorreu à bicicleta para ter melhor qualidade de vida. Como consequência, uma menor espera no trânsito. “Vou trabalhar todo dia de bicicleta, exceto quando chove. Passei a usar há três anos quando me mudei para Vila Velha e o trajeto que faço tem estrutura de ciclovia”, lembra. “A diferença que senti nesses últimos anos foi gigante porque não aguento esperar no trânsito e fico ansioso.”
A mudança foi tão benéfica que agora Kemel já incentiva a filha Helena Medeiros Melo, de apenas dois anos, a optar pela bike. Os passeios são na praia e, quando a mãe não pode, o pai leva a pequena para a creche. “Ela ainda vai na cadeirinha, mas já está na hora de olhar uma para ela. Eu gosto e quero que ela tenha ânimo de sair de casa para fazer essas atividades. Ela está nova, na época de aprender.”
Já a esteticista Eliete Xavier de Souza Coelho, de 54 anos, começou a pedalar por prazer. “Gosto do prazer que a bicicleta me proporciona, de poder ir para qualquer lugar, ver as pessoas, parar no meio do trajeto e conversar com os cachorros.”
Apesar de ter carro, ela usa a bike como meio de transporte para qualquer lugar, tanto para feira e supermercado quanto para ir à praia ou ao barzinho à noite. Tudo com calma para apreciar o passeio no trajeto.
Há quase 20 anos usufruindo dos benefícios das “magrelas”, Eliete observa o surgimento de novos ciclistas e também a evolução das cidades com mais ciclovias e incentivos. “O número de ciclistas aumentou com essas facilidades, mas ainda precisa melhorar muito e nós lutamos por isso.
Mobilidade
O sociólogo Luiz Gustavo Gabler, 30 anos, usa a bicicleta no cotidiano. Para ele, a bike dá mais mobilidade para se deslocar e muda a forma de ver a cidade. “A gente vive a mudança de clima, enxerga a paisagem, vê os rostos das pessoas, sente os cheiros e passa a interagir com o todo de uma maneira diferente.
Vida saudável
O passeio pela manhã é o momento da advogada Zilma Dal’Col, 47 anos, curtir com o neto Samuel Dal’Col De Victa, 1. “Quero mostrar a ele desde cedo a importância da atividade física para garantir uma vida saudável e sem sedentarismo, já que hoje as crianças estão muito focadas em jogos eletrônicos.”
Grupos se unem em busca de amigos e aventura

Lazer, transporte e também esporte! A bike é uma modalidade que se tornou popular entre novos atletas que se reúnem em grupo para curtir uma aventura.
Pedalando há 5 anos, o assistente técnico de TI Sylvio Roberto Coutinho da Silva, 49, sentiu os benefícios de imediato. “Perdi 13 kg. Além disso, senti melhora no humor e no sono e fiz novas amizades.”
Hoje ele coordena um grupo que se reúne três vezes por semana. Ele explica que existem grupos para níveis do iniciante ao avançado.
Para quem quer começar a pedalar, fica a dica: “Comece; se junte a um grupo e use equipamentos de segurança (capacete, luva e tênis bons). Venha conhecer sua cidade e até o Estado por uma nova perspectiva. Você vai se surpreender!”
Prática melhora a saúde do coração
Mesmo quando o objetivo não é voltado para a saúde, andar de bike contribui para o bem-estar. Basta um passeio por dia em cima da “magrela” que o coração já agradece.
O cardiologista Schariff Moysés defende que, “se tivesse segurança, o movimento de mais pessoas andando de bicicleta seria uma das grandes conquistas da saúde pois a prática aumenta a função cardiovascular ”.
Uma voltinha a lazer de 10 km pelo menos cinco vezes na semana já melhora muito a saúde do coração. No entanto, o especialista alerta que qualquer pessoa deve fazer um check-up antes de se engajar na atividade. “De repente a pessoa tem uma patologia que não conhece. Então pessoas acima de 40 anos devem fazer o exame cardiológico uma vez ao ano; as mais jovens, de dois em dois”, esclarece.
“Primeiro tem que fazer exame cardiológico e segundo aprender a andar de bicicleta, pois exige equilíbrio, o que nem todos têm.”
Problemas articulares não são empecilhos ao subir na bicicleta. Essa prática, inclusive, auxilia no tratamento, explica o educador físico e coach Felipe Carvalho. “O pedalar é um movimento de baixo impacto e muito saudável para membros inferiores, tanto é que se usa muito na reabilitação de pessoas que têm dores no joelho. O movimento promove uma irrigação mais profunda na região, o que beneficia essas articulações.”
Com 10 minutos de bike, o corpo já sente o auxílio na questão articular. Com 20 minutos, há melhoria no sistema imunológico. Acima de 30 minutos, promove-se uma melhoria na circulação que beneficia o sistema cardiovascular.
Segundo Carvalho, a bicicleta ainda acelera o metabolismo, auxiliando quem busca perda de peso. “O trabalho de baixa a moderada intensidade por períodos acima de 30 minutos favorece o uso da gordura como fonte de energia e faz com que o oxigênio consiga queimar mais gordura.”
O alerta do especialista é para a necessidade de se alongar antes e depois de pedalar. “Há um trabalho grande nos flexores do quadril e da lombar, por isso essas regiões acabam sendo sobrecarregadas. Os alongamentos são importantes para a preparação dos estabilizadores dessas que são as regiões mais exigidas pelo movimento das pernas.”
Tomando os cuidados de fazer check-up com um médico especialista e de se alongar, a “magrela” pode ser uma grande aliada da saúde.
“Só uso carro se o percurso for longo”

A pedagoga Luciene Gozzer, de 52 anos, usa a bicicleta como principal meio de transporte há quatro anos. O que a princípio era apenas um meio de economizar se tornou um estilo de vida.
“Quando comecei a usar, não tinha a consciência que tenho hoje. E no primeiro contato com o universo da bike fui vendo o que falta para o ciclista. Falta respeito, falta segurança… E assim a gente entra no movimento em prol dos ciclistas, pois sempre tem algo para reivindicar. E isso tudo procurando respeitar também o pedestre”, defende.
Luciene vai a supermercado, passeios, trabalho… tudo de bicicleta. “Para onde posso ir de bike, vou. Tenho carro, mas ele fica de stand by. Só uso quando o percurso é longo.”
“Economia entre as vantagens”

Foi quando colocou na ponta do lápis os gastos para manter um automóvel que a arquiteta Flávia Assis Lage, de 35 anos, decidiu vender o carro e adotar a bicicleta como meio de transporte.
“Fazendo as contas, vi que um carro popular gasta em média R$ 800 por mês e que o meu trajeto era muito curto para um custo tão alto.”
Flávia também sentiu os impactos no seu bem-estar desde que fez a troca há dois anos. “Percebi que não tinha mais estresse com o trânsito ao ir para o trabalho. Agora além de contribuir com meio ambiente, me sinto menos estressada, mais saudável e consigo aproveitar o sol da manhã, ou seja, tenho mais qualidade de vida!”
Investimento em ciclovias

Com cada vez mais bikes nas ruas, os municípios precisam se adaptar às necessidades dos ciclistas. Falta de respeito no trânsito, além de ciclovias limitadas e inseguras são algumas das reclamações de quem pedala. As prefeituras da Grande Vitória afirmam que estão investindo na prática.
Uma forma de motivar é com a implantação de um sistema de aluguel de bicicletas, como já existe há cerca de um ano e quatro meses em Vitória. Segundo o secretário de Transporte de Trânsito e Infraestrutura Urbana, Tyago Hoffmann, foram 300 mil viagens. “Essas pessoas estariam se deslocando de outras formas. Talvez não de carro, mas com certeza há retirada de veículos da rua.” A capital tem 47 km de ciclovias e ciclofaixas em forma de anel, permitindo dar a volta na ilha de bike.
Em Vila Velha, o Bike VV inicia o aluguel de bicicletas em 15 de novembro. Serão 200 bicicletas em 20 pontos da cidade, que tem 46,2 km de ciclovias e ciclofaixas e planeja expandir em 75 km, além de resolver outros problemas.
Já na Serra, o projeto para implantação do compartilhamento de bicicletas começará a tomar forma em 2018, esclarece a secretária de Desenvolvimento Urbano do município, Mirian Soprani. “O objetivo é incentivar e valorizar a utilização do transporte não motorizado, o que gera menos poluição e promove a saúde.”
A Serra tem 53 km de ciclovias e ciclofaixas e planeja construir mais 188 km a curto e longo prazo.
AS VANTAGENS DE USAR A BIKE
1 – Menos espera no trânsito
Enquanto os carros esperam no engarrafamento, as bikes conseguem passar, reduzindo o tempo de espera no trânsito.
2 – Maior mobilidade
Claro que existem algumas limitações, por exemplo ao atravessar pontes, mas a bike possibilita ir a uma diversidade de lugares sem ter que esperar por ônibus ou usar o carro próprio.
3 – Contribuição para o trânsito
Ao optar por uma bike para se locomover, ou é um carro a menos na rua (reduzindo a frota de veículos) ou é uma pessoa a menos dentro dos transportes coletivos (reduzindo um pouco a demanda de passageiros).
4 – Menos estresse
Para quem não gosta de dirigir ou fica estressado com congestionamento – e outras situações comuns do trânsito –, a bike permite apreciar a cidade de uma maneira diferente e curtir o trajeto como um passeio, mesmo se estiver indo para o trabalho.
5 – Benefício ao meio ambiente
A bicicleta é um meio alternativo que pode substituir veículos motorizados. Optar por ela no lugar de outro transporte contribui para a redução na emissão de poluentes.
6 – Aproveitar o ar livre
Pedalar também é lazer e pode ser brincadeira para crianças. Adultos que se queixam de crianças presas dentro de casa agarradas à tecnologia podem incentivar os pequenos a pedalar para aproveitar o ar livre e se divertir “à moda antiga”.
7 – Conhecer a cidade
De bike, é possível perceber melhor os rostos das pessoas, sentir os cheiros e conhecer rotas diferentes à medida que experimentamos novos caminhos. Até para turistas é mais interessante do que andar de carro, já que a velocidade pode impedir de ver os detalhes da cidade, ou de ônibus, que seguem rotas fixas.
8 – Economia
O carro precisa ser abastecido com certa frequência, o que causa uma dorzinha no bolso no fim do mês. Com a bike, a despesa é com o investimento na hora da compra e na manutenção, custos baixos se comparados ao carro.
9 – Sem superlotação
Nada de se espremer dentro de um ônibus nos horários de pico. Com a bike, o trajeto é feito com conforto sem precisar ficar esbarrando em ninguém nem se segurando em uma barra para não cair.
10 – Fortalecimento dos membros inferiores
O movimento de pedalar fortalece as pernas e é saudável para os membros inferiores, tanto que se usa muito o trabalho de bike para reabilitação de pessoas que têm dores no joelho. O exercício tem ainda baixo impacto e pode ser praticado até por quem tem problema nas articulações.
11 – Faz bem para o coração
O exercício em cima da bike promove uma melhoria na circulação do sangue, na irrigação dos membros e também faz bem para o coração por aumentar a função cardiovascular.
12 – Ajuda na perda de peso
O pedalar promove uma aceleração no metabolismo, auxiliando na queima de gordura, pois a usa como fonte de energia.
13 – Qualidade de vida
A prática de um exercício melhora a saúde e o bem-estar do indivíduo, refletindo em diferentes aspectos da vida como humor, sono e relação com outras pessoas.
14 – Fazer novas amizades
Existe um universo de pessoas com esse mesmo interesse, o que propicia a formação de novas amizades. Além disso, existem grupos que pedalam juntos e compartilham momentos, estreitando os laços.
Fonte: Especialistas e ciclistas entrevistados.
Kariny Baldan
