
Nenhum campeonato que a tenista Mariana Tommasi, de 17 anos, disputou chega aos pés do que ela está vivendo no Rio de Janeiro. A capixaba está trabalhando como voluntária no tênis e tem uma função bem simples: a de boleira. Mas o que acontece quando ela está na quadra central do tênis é puro sonho.
Mariana tem o privilégio de servir as bolas a feras da modalidade como Novak Djokovic, Serena Williams, Rafael Nadal e Andy Murray.
“É uma coisa inacreditável. A gente tem acesso a quase todas as áreas do atleta, passa por ele todas as horas. É uma emoção que não dá para explicar! Poder colocar a mão na toalha suada do Djokovic, isso tudo é inacreditável”, diz.
A capixaba presencia até momentos de descontração, como quando o francês Gael Monfils estava jogando baralho.
Só tem um porém: ela e todos os voluntários são instruídos a não expressar nenhum tipo de reação quando os atletas estão ao seu lado. E muito menos tirar foto.
“Isso é proibido! Se nossa supervisora vê, a gente perde a credencial na hora. Mas que dá vontade, dá… É difícil ficar igual uma estátua quando eles passam por nós. Djokovic estava fazendo alongamento e eu estava regulando a entrada. Eu ficava: ‘Meu Deus, eu preciso falar com ele!’ Mas não pode nem dar um sorrisinho”.
Mas Mariana não pode fazer nada se o impulso vem do atleta. O argentino Guido Pella agradeceu pela bola, bateu no ombro dela e a jovem disse “por nada”. Isso foi o máximo até agora.
“Eles disseram que no último dia a gente vai conseguir tirar foto. Eu vou tirar de qualquer jeito, com certeza. Quero muito ter! Mas só estar aqui, vivendo tudo isso, já é uma experiência incrível”.
Essa vivência olímpica, que se estende até o dia 15, está servindo também para ampliar horizontes da tenista. Campeã capixaba em diferentes categorias, ela deve viajar para os Estados Unidos, no ano que vem, a fim de estudar e, ao mesmo tempo, jogar tênis.
“Ver este mundo aqui é maravilhoso e esse trabalho será importante até mesmo para a faculdade, nos Estados Unidos, por eu ser voluntária. Vai ficar para sempre na memória e me inspira no tênis”.
Por Eduardo Fernandes / A Tribuna na Olimpíada