
(*) Terrence Saldanha
Thayna Andressa de Jesus, de 12 anos, está desaparecida desde o dia 17 de outubro. Ela caminhava sozinha rumo a um supermercado. Foi abordada e entrou em um carro supostamente dirigido por um homem com passagem na prisão por estelionato, roubo e assassinato, além de uma suspeita de estuprar uma outra menina de 11 anos. Ademir Lúcio Ferreira é o principal suspeito, tem prisão decretada e é considerada foragido.
O vídeo revelador, da menina entrando no carro, foi conseguido pela mãe, e não pela polícia, no comércio da região onde mora.
Imaginar o que pode ter acontecido tira o sono, provoca revolta. Quem tem filhos, então, amarga o pesadelo de imaginar: “E se fosse minha filha?”.
Bem, e agora? Em primeiro lugar, esse caso precisa ser solucionado. Thayna precisa ser encontrada. Se houve o pior dos cenários, o criminoso tem de ser localizado também.
A partir daí, cabe perguntar: se houve mesmo uma barbaridade com a menina, nossas leis estão preparadas para um indivíduo desse calibre? Um criminoso como ele deveria ter sido recolocado nas ruas?
Sinceramente, um emprego que eu não gostaria é o do bravo delegado Lorenzo Pazzolini. Ele convive diariamente com uma das piores estirpes que a sociedade produz. Felizmente, temos alguém ali como ele para cumprir essa missão de enfrentar pedófilos, estupradores, abusadores. Talvez exaurido por tanta “desgraceira”, o delegado chegou a propor uma discussão sobre castração química dos criminosos. Pelo menos abriu um debate. Quem está na trincheira quer munição e não discursos.
Você pode não concordar, mas discutir temas como prisão perpétua, castração química e até (o maior dos palavrões aos ouvidos de alguns) a pena de morte não é um pecado. Seriam medidas drásticas demais? Sim? Não? E agora? O que não podemos é conviver com esse eterno prende e solta de bandidos. Algo tem de mudar. A cadeia não pode ser vista como regeneradora de bandidos? Mas é certo trazê-los de volta às ruas sem a certeza de sua recuperação?
Nenhuma medida extrema é boa? A bola está, então, com quem defende mudanças menos drásticas. Deixar como está é que é inaceitável.
Mas vamos torcer pela menina Thayna. Enquanto houver um fio de esperança, vamos torcer.
(*) Terrence Saldanha é colunista do Tribuna Online.
Se ainda não viu o caso, acesse:
https://www.tribunaonline.com.br/video-mostra-crianca-de-12-anos-sendo-sequestrada-na-grande-vitoria/