
O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) suspendeu, nesta quinta-feira (1º), sessão extraordinária da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, que ele presidia, após ser chamado de “golpista” por manifestantes de entidades estudantis e de professores.
A sessão discutia a liberdade de expressão na sala de aula, com representantes a favor e contrários ao projeto Escola sem Partido, um projeto de lei que defende a “neutralidade do ensino” por meio da proibição de suposta “doutrinação ideológica” nas escolas.
Para os críticos, o projeto afeta a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e a autonomia pedagógica nas salas de aulas.
Ex-petista e ex-ministro da Educação do governo Lula, Cristovam foi um dos 61 senadores que votaram a favor do afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República.
“De repente, comecei a ouvir os gritos de ‘golpista’, ‘golpista’, ‘golpista’. Fiquei nove anos fora do Brasil para não conviver com golpistas. Não quero que ninguém conviva com golpistas. Como ali eles achavam que a mesa estava sendo comandada por um golpista, em homenagem a eles, que não têm coragem de se exilar, como eu fiz, preferi sair e suspender a sessão”, explicou o senador.
Cristovam acrescentou que não se sentiu agredido, mas incomodado. “Tanto que saí passando pelo meio dos manifestantes e ninguém tocou um dedo em mim.”