
A abertura das chamadas residências terapêuticas ou inclusivas, voltadas para o tratamento de longo prazo de pacientes psiquiátricos, tem incomodado moradores dos bairros que recebem esses pacientes.
As principais reclamações são por barulho de grito e choro, além da preocupação com crises que pacientes com esquizofrenia ou transtorno bipolar possam ter.
O advogado da Associação de Moradores de Mata da Praia, Luciano Machado, explicou que há no bairro duas residências terapêuticas, administradas pelo Movimento Paz ES. A associação entrou com pedido de liminar na Justiça para que as clínicas sejam retiradas.
“Verificamos que as clínicas estão em um local indevido, segundo o PDU (Plano Diretor Urbano) de Vitória. Elas ficam em ruas estreitas, e o PDU só autoriza casas residenciais na região. A expectativa é que haja uma decisão da Justiça em cerca de 15 dias.”
Os pais da servidora pública Maria Priscila Mendonça, 31, moram ao lado de uma das clínicas. “Eles reclamam muito do barulho. Esses pacientes gritam e choram muito, principalmente de madrugada e de manhã. Além disso, há um trânsito intenso de prestadores de serviço. É um projeto social interessante, mas que ficou mal localizado. Um vizinho teve de sair de casa, pois a filha de 5 anos acordava assustada toda noite”, contou.
O psiquiatra da área técnica de saúde mental, álcool e outras drogas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Zanandré Avancini de Oliveira, afirmou que essa proposta terapêutica em residências enfrenta muita resistência da sociedade.
“Infelizmente, a sociedade acha importante tratar pacientes com transtornos psiquiátricos, mas quer excluí-los, principalmente em bairros nobres. Em Santana, Cariacica, onde temos uma residência terapêutica, fizemos um trabalho de conscientização e a população aceitou.”
Com o fechamento da última clínica psiquiátrica de internação que prestava serviços para a rede pública, a Santa Isabel, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, foi preciso encaminhar os pacientes para outro local.
Para atender os últimos 21 pacientes que estavam internados na unidade e não tinham mais contato com familiares, a Sesa abriu mais três residências terapêuticas em Cariacica, totalizando 18 em todo o Estado. Os bairros não foram informados.
Reportagem por Kelly Kalle / Jornal A Tribuna