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Como funciona a mente do apaixonado?

Foto: Thiago Coutinho/AT Embora muita gente acredite que o amor está no coração, neurocientista diz que está no cérebro e detalha como age Falta de ...

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Foto: Thiago Coutinho/AT

Embora muita gente acredite que o amor está no coração, neurocientista diz que está no cérebro e detalha como age

Falta de apetite, coração acelerado, aumento de pressão, perda do sono, ansiedade, nervosismo. Se diante de todos esses sintomas não for diagnosticado nada nas consultas médicas, cuidado: você pode estar doente de paixão!

Entender o cérebro apaixonado e o que acontece em todas as fases do relacionamento motivou o neurocientista Fernando Gomes Pinto, consultor do “Encontro com Fátima Bernardes”, a escrever o livro “Neurociência do Amor”.

Na obra, ele explica as várias etapas refletidas em nosso corpo.

“Durante o momento da paixão, há todo um preparo do cérebro para esse estado de motivação: aumenta o neurotransmissor no circuito de recompensa cerebral chamado dopamina. Então, é mais prazer, que pode ser viciante”.

Segundo o autor, embora muita gente acredite que o amor está no coração, ele, na verdade, está em nossa mente, e, a cada etapa da relação, o cérebro passa por “desequilíbrio” emocional, sendo a fase mais crítica a da paixonite aguda.

“A serotonina, ligada à tranquilidade, tende a cair um pouco quando a pessoa está apaixonada. Então, cuidado com decisões tipo: ‘Achei o amor da minha vida, vou dar minha conta bancária para ela’. Alto lá! Você está passando por momento de fragilidade em relação às decisões mais racionais”.

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Entrevista com Fernando Gomes Pinto, neurocientista e escritor

At2 Como é a cabeça e o coração do apaixonado?

Fernando Gomes Pinto – É lógico que, quando existe paixão, que dura de 6 meses a 2 anos, o cérebro funciona num formato diferente. Há sensação de maior disposição, porque mais testosterona vai aumentar a libido e a energia. A noradrenalina faz com que você fique com menos sono e mais disposição.

Já dopamina dá prazer e, por isso, você quer ficar perto da pessoa. Por outro lado, a serotonina diminui um pouco e você fica só pensando naquela pessoa. Existe também tendência a fazer uma qualificação muito positiva da pessoa, diminuindo defeitos. É um momento bem diferente.

Quando a gente fala sobre o coração apaixonado, ele sofre repercussões, então, muitas vezes, quando a pessoa chega perto de quem ela ama, ela sente taquicardia, sente o coração bater mais forte.

Não tem o emoji que tem aqueles olhos de coraçõezinhos? É mais ou menos assim que funciona. Você vê o mundo cor-de-rosa, vê o lado bom das coisas.

Fernando: “Amor para sempre”. Foto: Divulgação

Quanto dura o amor?

Decidir ter uma vida amorosa é uma decisão de cada pessoa, por isso o amor pode durar para sempre. Mas, quando falamos do amor a dois, o que a gente sabe é que há quatro fases muito nítidas: a da luxúria, na qual você não sabe exatamente quem, mas tem vontade de encontrar alguém; a da paixão, que dura de seis meses a dois anos; a do amor romântico, que pode durar de 4 a 7 anos; e, por fim, a fase do amor companheiro, que a gente considera eterna.

Há formas de estimular o cérebro a permanecer amando?

Sim. O primeiro passo é o auto-conhecimento chamado de metacognição, para entender os processos mentais que regem um relacionamento amoroso.

O contato físico também estimula a pessoa a permanecer amando mais a outra. Por isso a importância do beijo na boca, do abraço por mais de 20 segundos, propiciando a liberação de ocitocina e formação do vínculo afetivo mais estável, e dos elogios sinceros como na fase inicial da relação.

Para esquecer um grande amor, o que fazer?

Esse é um guia de sobrevivência na selva! Brincadeira. Há três dicas básicas: fazer atividade física para liberar substâncias como endorfina, que dá sensação de bem-estar e alívio; cortar redes sociais e esconder fotos, pelo menos no período inicial, que vai até 24 meses “de luto”, no qual a órbita frontal (região mais interior do cérebro) está fazendo um ressignificado da experiência amorosa com outra pessoa. A outra dica é manter a porta aberta para uma nova relação.

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Reportagem especial de Cristina Oliveira para o jornal A Tribuna do dia 30/07/2017

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