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Desabafos da verdadeira Bibi Perigosa

Fabiana Escobar, a Bibi. foto: Divulgação A paixão e toda a adrenalina provocada por esse sentimento fizeram com que Fabiana Escobar, 36, a Bibi ...

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Fabiana Escobar, a Bibi. foto: Divulgação Fabiana Escobar, a Bibi. foto: Divulgação

A paixão e toda a adrenalina provocada por esse sentimento fizeram com que Fabiana Escobar, 36, a Bibi Perigosa, embarcasse em uma montanha-russa, com direito a muitas voltas. Da ativista antidroga à primeira dama do tráfico, com direito a título de Baronesa do Pó. De conselheira de familiares de presos em um complexo prisional carioca a bancos de espera para revista em cadeia, antes de se encontrar com seu grande amor. Seria ironia do destino?

Em entrevista ao AT2, a verdadeira Bibi Perigosa desabafa: “Só pode! A vida me pregando uma peça! (Risos). Minha vida é tão esquisita que sempre passei muito rápido de um lado para o outro. Eu, que me dedicava a evitar que as pessoas usassem drogas, com um discurso lindo, fui direto para essa área! Ninguém queria estagiar em presídio. Eu estava no 8º período de Serviço Social. Amava! Mas, do nada, passei de funcionária para visitante”, lembra ela, que inicialmente escreveu blog com sua história e depois lançou o livro “Perigosa”, em 2012, que está sendo relançado pela Novo Século.

Agora, a novela “A Força do Querer ”, mostra um retrato dos 14 anos do amor desmedido de Bibi Perigosa pelo Barão do Pó (o então traficante da Rocinha Saulo de Sá Silva), protagonizada por Juliana Paes e Emílio Dantas. Desse casamento, nasceram Celso, 20, e Dalila, 18, que ainda moram no morro.

Apesar de reconhecer sua história na TV, Bibi frisa que Gloria Perez fez alterações, como incluir o triângulo amoroso com o advogado, interpretado por Rodrigo Lombardi.

Fabiana Escobar (Bibi) e Juliana Paes, como Bibi. Fotos: reprodução Fabiana Escobar (Bibi) e Juliana Paes, como Bibi. Fotos: reprodução

“Precisava blindar meus filhos”

Separada desde 2010, Fabiana Escobar divide-se entre Rio Comprido (bairro na Zona Norte do Rio) e a Rocinha, onde tem sua casa. Avó de Celso Jr., 3 anos, e Nícolas, de 1 ano, “Bibi Perigosa” mora sozinha, dedica-se a escrever livros e agora a acompanhar sua história com o olhar de espectadora. Uma posição que a faz recordar dos cinco anos de sufoco vividos ao lado dos filhos, Celso, 20, e Dalila, 18.

Segundo ela, uma condição de perigo que até tentou evitar. Porém, reconhece que foi em vão. “Me preocupava em ocupá-los. Era muito dinheiro que gastava com eles. Mandava para parque com os amigos, alugava Van e pagava a entrada de todo mundo. Eu comprava as companhias dos meus filhos. Eu precisava blindar as crianças, mas é impossível. Minha mãe também ficava com eles, em campo neutro”, lembra, em entrevista ao AT2 .

“Cria-se mito de caminho sem volta”

AT2 Conta tudo no livro “Perigosa”?

FABIANA ESCOBAR Sim. Tive que abrir minhas feridas. Não dava para falar só as coisas boas. E entendi que minha missão não era só me defender. Porque, no meu blog, as pessoas viam em mim alguém que poderia ajudar. Pois, quando você está no meio do problema, não vê muita saída, acha que não tem jeito.

> Caminho sem volta?

Sim. Cria-se um mito de caminho sem volta. Só não tem volta quando morre. Nem a cadeia é um caminho sem volta! Nessa história, o maior inimigo é a própria pessoa, que se sabota. Tem que ter força para recomeçar.

>Também quis mostrar que o tráfico não tem glamour?

Sim. Queria tirar o mito do glamour. Algumas pessoas acham que a novela faz homenagem a bandido, apologia ao crime. Mas não param para ouvir a mensagem. A trama trouxe a história desde o começo, explicadinha.

>Na novela, nem tudo o que está sendo retratado aconteceu: o triângulo amoroso, o curso de Direito… O que está igual?

A paixão. Era mesmo uma loucura! O pessoal até encarnava na gente, colocando apelido de Casal 20, Pau-Mandado de Mulher. Ele caiu naquele meio (tráfico) com uma história totalmente fora da realidade dele. E eu, o tempo todo, agarrada no que a gente era. Eu não aceitava…

> Como assim?

Eu e as crianças éramos o fio de cabelo que prendia ele ao que era antes. Tudo o que vinha para me mostrar essa nova realidade era um choque. Já as explosões da personagem, o ciúme louco, até hoje sou assim, demais! Minha história está sendo contada com tanta verdade que me sinto constrangida de chegar perto do ator que faz o Rubinho (Emílio Dantas). Não me sinto à vontade perto dele, é como se eu tivesse traindo a Bibi. Mas sou eu a Bibi! (Risos)

>Você se vê na Juliana Paes?

Muito. Não só nas falas, como também no gestual, nas reações.

> Chegou a usar drogas?

Não. Só álcool e cigarro.

> Ainda aconselha familiares de criminosos?

O tempo todo. Aconselho, digo que tudo vai passar.

> As mulheres são suas fãs?

(Risos) Muito! Já me jogaram em grupo de WhattsApp, me ligam, mandam coisas. Fazem perguntas sobre a novela. No dia em que a Bibi (Juliana Paes) deu um beijo no Caio (Rodrigo Lombardi), os presos surtaram. Começaram a desconfiar das mulheres com os advogados! (Risos) Eu falei: “Calma! Isso é ficção, veio da cabeça da Gloria Perez.

> Entrou nessa vida por amor. Arrepende- se?

Eu aprendi. Não foi um aprendizado normal, pelas vias legais. Mas foi uma experiência que consegui tirar uma coisa boa para mim. Mudei.

>Hoje vê que há limites até mesmo para o amor?

Naquele momento, o nosso casamento não estava em crise. Era como se fosse uma doença que entrou nas nossas vidas, mas continuamos amando. Essa opção de largá-lo não existia. Não queria, não faria. Eu deveria ter evitado entrar tanto na defesa. Porque, nessa de proteger, me expus demais.

> Falou que ele vacilou. Em quê?

Passou a se distanciar. Abandonou a nossa história. Estava com ele, seguindo um caminho dele. Mas, um dia, passamos a ir para lados opostos. Perdeu o sentido.

AT2 Uma realidade que ficou para trás. Saulo de Sá Silva, o Barão do Pó, segue preso, pagando pena por tráfico de drogas. Tem contato com ele?

Não tenho contato nenhum com ele. Nem sonhar com ele, eu sonho. Passou!

> Se passou, por que contar tudo?

Para me defender. No dia da ocupação da Rocinha, em 2011, quando a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) entrou no morro, saiu uma matéria relacionando comigo, com foto e tudo. Mas havia 2 anos que eu estava totalmente fora. Precisava explicar. E, para não responder de um a um, decidi falar de uma vez.

> Foram 14 anos de casamento com ele, que foi seu amor da infância. Você tinha 12 anos e ele, 13, na época em que moravam em Rio Comprido. Quando se casaram??

Casei aos 17 anos. De 2005 a 2010, período em que ele estava no tráfico, ainda estávamos casados.

> Assim que ele foi preso, você entrou em cena, tocando os negócios e tornando-se a Baronesa do Pó. Era uma vida de luxo ou a construção de um castelo de areia?

No tráfico, você ganha recursos para construir um grande castelo de areia que vai desabar na cabeça, e rápido. Lógico que havia momentos de diversão. Mas, os problemas eram intensos.

> E você já foi presa?

Não. Uma vez, a polícia acabou com uma festa à fantasia minha, que eu tinha avisado que iria acontecer! Um policial jogou spray de pimenta na cara do meu filho e aí eu mordi o policial e fui parar na delegacia. (Risos). Deu tudo certo, mas ele acabou com minha festa.

> Ficha limpa, então?

Me apresentei à Justiça quando descobri que seria julgada por associação ao tráfico. Descobri por acaso. O processo terminou porque o policial não se apresentou, algo assim. Disse para a juíza, que me perguntava muito sobre o Saulo: “É meu marido, como não vou tirar foto com ele?”. Na época, estava casada com ele havia 11 anos, não o tinha encontrado em uma boca de fumo.

> E o dinheiro?

O dinheiro que vinha daquilo ali me reportava para tudo o que passamos para estar ali. Não tinha gosto pelo dinheiro. Tanto é que, hoje, minha relação com dinheiro é bem estranha. Lógico que preciso de dinheiro para pagar as contas, comprar as coisas, mas não fico desesperada. Eu tive que me desapegar tanto de tudo, porque sabia que teria que largar tudo para trás para fugir da polícia.

> Seu ex não economizava nos presentes, nas surpresas?

O tempo todo lembrava de mim. Ele foi vacilar já no final. Se estivesse na rua e visse um bicho, comprava e mandava para mim. Contratava equipe de TV para me filmar no baile e passar na televisão. E ficava para me assistir!

> E sua mãe gostava dele? Porque, na novela, a personagem Aurora, vivida por Elizângela, não.

Na realidade, sim! Foi professora dele, na 4ª série. Depois, diretora da escola onde estudávamos.

 

Deborah Hemerly

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