
A família do piloto e um dos donos da Lamia Miguel Quiroga se manifestou nesta quinta-feira (01) sobre a confirmação da falta de combustível no avião da Chapecoense. A pane seca teria sido a causa do acidente que provocou a morte de 71 pessoas e deixou 6 feridos.
A prima do piloto, Milene Quiroga, disse que culpar o piloto pelo acidente é “cruel e absurdo”, e acredita que uma série de fatores tenha causado a queda. “É cruel, absurdo e injusto tentar achar que ele tenha sido o causador de tudo. Se ele se arriscou, tinha algumas convicções para isso, mas é difícil e até impossível mensurar isso nesse momento. É cruel tentar achar um culpado, pois, uma tragédia dessas acontece após uma série de fatores que ainda devem ser analisados”, afirmou.
Na quarta-feira (30), os resultados preliminares da investigação foram divulgados e apontam que a aeronave não tinha nenhum combustível ao cair. A realização de um abastecimento em Cobija teria evitado o acidente, segundo especialistas.
A falta de combustível é reforçada pela conversa divulgada entre o comandante do avião com a torre do aeroporto de Medellin.
A prima do piloto destacou ainda que Quiroga conhecia a aeronave Avro RJ-85 e sabia da capacidade de voo, pois trabalhou vários ano no avião antes de conseguir alugá-lo. “Não dá para tentar achar um culpado. Meu tio sofreu consequências que eram evidentes no dia a dia. Ele teve as pernas quebradas em vários locais e os pés foram reconstruídos. Ele perdeu centímetros de altura e uma perna ficou maior que a outra. Ele ouvia o filho dizer desde criança que queria ser aviador e perguntava “mas você não viu o que aconteceu comigo? Não tem medo?”. E o Miguel respondia: ‘isso comigo não vai acontecer'”, contou.
Segundo Milena, toda a família está muito abalada, e a esposa do piloto está reclusa, sem querer se manifestar sobre o assunto. “Ficam as memórias boas, a saudade e o sorrido espontâneo dele. Não lembro de vê-lo com raiva há não ser em situações necessárias. Era uma pessoa muito carinhosa e familiar. A perda é muito grande e falar sobre causas é absurdo. Não posso opinar sobre uma coisa em que eu não estava, mas acredito piamente na competência dele e vou continuar batendo nessa tecla”, disse.