
O engenheiro Luiz Thadeu Nunes e Silva já conheceu 121 países e pretende ir mais longe. Ele ensina como viajar e gastar pouco
Após sofrer um acidente de carro, ser vítima de um erro médio e passar por 43 cirurgias, o engenheiro agrônomo maranhense Luiz Thadeu Nunes e Silva, 58 anos, que já conheceu 121 países, deseja ir ainda mais longe.
De muletas, devido a perda de movimento da perna esquerda, ele quer conhecer todos os 193 países do globo, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), “pisar em todos os recantos do mundo” e conhecer pessoas trocando informações e experiências.
Em menos de 30 dias, ele pisou nos dois extremos da terra.
“Fui a Ushuaia na Argentina, cidade conhecida como o ‘fim do mundo’, e no mesmo mês voei para o Alasca e pisei no primeiro ponto da Terra. Talvez, de muletas, eu seja o único que tenha feito isso”, contou sobre a aventura.
Ele também apreciou o pôr do sol em diferentes lugares do planeta. Experimentou comidas exóticas e se surpreendeu, por exemplo, ao descobrir que no Egito há pessoas que nascem, crescem e vivem nos cemitérios.
Mesmo durante as viagens, Luiz Thadeu faz seu trabalho a distância, e revelou o seu grande segredo para viajar sem gastar muito: “O que determina o destino é o preço das passagens”.
Disse também que a informação é o principal aliado de quem deseja economizar. “Sou um homem de bolso raso e sonhos profundos”, garantiu, detalhando que pesquisa muito para conseguir promoções de voos e hospedagens.
Casado e com dois filhos, um de 28 e outro de 30 anos, ele viaja com a família ou sozinho
“Quando vou só requisito uma cadeira de rodas. Sou conduzido até o táxi com minha mala. Me hospedo próximo aos grandes centros, já com roteiro do que quero conhecer”, detalhou.
Não saber falar a língua de determinado país, para ele, que não fala inglês, não é problema. “O segredo é a simpatia, o sorriso. Na China falam mandarim, mas eu falei um ‘mão-darim’ sabe, usando os gestos todos”, contou se divertindo com a recordação.
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Entrevista com Luiz Thadeu Nunes e Silva, engenheiro
“Meu sonho é ir para o ‘Livro dos Recordes’”
Curiosidades sobre viagens, encontros e reencontros foram revelados pelo engenheiro Luiz Thadeu Nunes e Silva, de 58 anos, em entrevista ao jornal A Tribuna.
A Tribuna – Como se organizou para conhecer o mundo?
Luiz Thadeu Nunes e Silva – Vou colocando metas. A primeira era ir a 20 países, depois dobrei. A última meta foi conhecer 120 países, o que já superei. Estou voltando de Cuba, o 121º país que visitei.
Como se relaciona com quem conhece nas viagens?
Acompanho todo mundo pela internet, pergunto como estão. Já conheci um rapaz indo para as Ilhas Seychelles e dois meses depois fomos para Hong Kong juntos. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, reencontrei um jornalista que conheci em Israel.
Já hospedei pessoas que conheci na Europa. Acontece muito de eu viajar e ficar hospedado na casa de alguém que conheci durante uma viagem também.
Que histórias te marcaram?
Na Finlândia, conheci um cego que viajava a Europa toda acompanhado apenas do cão guia. Em Mumbai, na Índia, conheci uma casta de pessoas que nascem, crescem, vivem e morrem na rua.
Qual seu maior sonho?
Meu sonho é conhecer o mundo todo e ir para o “Livro dos Recordes”. Digo para todo mundo: “não sei se você vai morrer. Eu sei que eu vou e quero morrer realizado”. Para me realizar, quero conhecer esse mundão que Deus fez. Um desses lugares é Kiribati, um lugar que ninguém vai e que vai desaparecer.
Vai escrever um livro?
Sim. Esse projeto existe. O livro deve sair no ano que vem.
O que quer mostrar?
Quero mostrar que devemos buscar fazer o que gostamos. O mais triste é as pessoa dizer: “não tenho tempo”, “não tenho dinheiro”. Digo para todo mundo: “eu tenho tempo e dinheiro, não é muito, mas é bem administrado”.
Como aconteceu esse acidente que te deixou sem mobilidade na perna esquerda?
Era final de tarde, estava chovendo e eu estava em um táxi indo de Natal para Fortaleza. O motorista foi atender o celular, perdeu o controle da direção do veículo e batemos de frente com um caminhão.
Com o acidente, tive fratura exposta no fêmur. O médico colocou platina e suturou e aí infeccionou. Tive osteomielite. Como não cicatrizava, tive que ir sempre ao centro cirúrgico para fazer limpeza e para isso recebia anestesia geral. Esse processo durou quatro anos.
Posso me locomover pequenininhas distâncias sem as muletas, mas não me locomovo sem elas, pois não tenho firmeza na perna esquerda.
Como avalia acessibilidade para pessoas com deficiência no Brasil?
Somos atrasadíssimos. Em grande parte das cidades brasileiras, chegamos ao estacionamento e a vaga para deficiente está ocupada por quem não tem deficiência. É um problema de ordem cultural em nosso País.
E as muletas?
Elas são partes fundamentais na minha conquista de mundo. Estou fundando o Instituto Caminhar, para fabricar e vender muletas a preço de custo, para devolver para o mundo um pouco do que a vida me deu.
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