
Escolas de samba da Grande Vitória e dezenas de internautas saíram em defesa da rainha de bateria da Chegou o Que Faltava, Bethyna Nascimento Casagrande, de 22 anos. A jovem foi vítima de comentários preconceituosos na internet e foi até criticada pela profissão de faxineira.
A bela do carnaval capixaba descobriu que um perfil falso tem sido o responsável por disseminar as mensagens de ódio. Em um dos comentários, o autor faz ameaças a Bethyna, afirmando que “iria acabar com ela”.
A agremiação de Goiabeiras, em Vitória, da qual Bethyna é rainha de bateria, lançou uma nota de repúdio em sua página no Facebook. A mensagem acompanha uma foto da jovem na avenida, durante os desfiles do Carnaval de Vitória deste ano, além da hashtag #UnidosPorBethyna.
“A escola jamais irá aceitar de forma alguma tais atitudes de quem quer que seja, ainda mais de maneira covarde, oculta e desrespeitosa, não só com nossa rainha de bateria, mais com toda comunidade, admiradores e colaboradores da Chegou o que Faltava”, escreveu.
Em mensagem na rede social, a Unidos de Jucutuquara afirmou que repudia qualquer ato de preconceito e discriminação e disse apoiar a atitude da rainha de bateria em denunciar as ameaças.
A escola também publicou um trecho de seu samba-enredo de 2001 e pediu “mais amor, menos ódio”. “Brasil tu és negro sim, reconheça essa verdade e ponha fim nessa cruel desigualdade, pois somente assim terás dignidade”, relembrou a agremiação.
Quem também citou um samba-enredo para se manifestar contra o preconceito foi a Independente de Boa Vista. O trecho da música, de 2003, diz que: “E um novo dia vai chegar/ E a nossa estrela vai brilhar/ Valeu Mandela/ Contra o preconceito racial/ Vamos por a mão na consciência/ Hoje a etnia é afrodescendência/ Lado a lado no carnaval”.
Por meio do Facebook, a escola de Cariacica afirmou que “condena quaisquer práticas que discriminem seres humanos por sua raça, cor, etnia, religião, gênero ou procedência nacional”. A mensagem veio acompanhada por uma foto da jovem e as hashtags #TodosPorBethynna, #SorrisoNegro, #AbraçoNegro, #Liberdade, #SomosTodosIguais, #NãoAoRacismo.
A Pega no Samba também usou a rede social de Mark Zuckerberg para prestar solidariedade a Bethyna Casagrande. “Em nome do nosso Presidente Alex Santos e de toda família Pega no Samba, fechamos nossas portas e dizemos NÃO AO RACISMO!”, publicou a escola.
Mais apoio
Nos comentários das postagens das escolas de samba, muitos internautas aproveitaram para condenar os ataques racista e mostrar apoio a Bethyna. “Como ainda pode haver isso em pleno 2016?”, disse um internauta. “Gente! Ela é linda. Por que essa coisa horrorosa?”, escreveu outro.
“Estamos com vc, Bethyna”, comentou mais um internauta. “Que todas as medidas judiciais sejam tomadas e esse covarde seja encontrado!”, constava em mais uma mensagem.