
Uma cratera de 300 metros quadrados surgiu em uma avenida da cidade de Fukuoka, no Japão, na semana passada e o local já foi reaberto, após restauração, feita em dois dias, com turnos ininterruptos para a liberação do trânsito.
A cratera surgiu no dia 8 de novembro na região central de Fukuoka, causou interrupção do tráfego e provocou interdição de prédios da região. As causas da cratera ainda estão sob análise de uma comissão da prefeitura. No entanto, a obra foi concluída em 48 horas.
Para especialistas, a eficiência dos japoneses é uma demonstração de necessidade de mudanças na legislação e na forma como é feito o planejamento urbano. Eles também apontaram que a adoção de novas tecnologias e de uso de escalas aceleradas de trabalho possibilitam obras com menos transtornos.
Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU-ES), Tito Carvalho, o principal fator para que obras possam ser realizadas com tamanha velocidade é a questão do planejamento, tanto para a construção de novas estruturas, quanto para a gestão dos riscos de desastres. “Eles possuem um planejamento de respostas aos riscos bem detalhado. Tanto que já se refizeram por inteiro algumas vezes. Outros são processos construtivos mais industrializados e planejamento e projetos bem detalhados”.
Segundo ele, obras públicas mais rápidas passam, principalmente, por projetos bem detalhados, com previsões de possíveis problemas. “No Brasil, se tenta resolver na obra o que não é pensado antes, na fase de projeto. Então são tomadas decisões que são possíveis, mas não as melhores. Lá, eles valorizam o processo de planejamento, com projetos detalhados até ter certeza que aquelas soluções atendem à necessidade deles”.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Paulo Baraona, um ponto que impede rapidez em obras públicas são os entraves burocráticos. “No Brasil, infelizmente, se parte do princípio equivocado de que todos são errados. Hoje se usam muitas amarras legais e menos a engenharia para a realização de obras, quando são necessários bons projetos, boa fiscalização, uma planilha orçamentária completa”.
Daniel Figueredo
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