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Estado registra 277 casos de meningite no primeiro semestre do ano

Cristiane Fernandes das Neves e a filha. Foto: Dayana Souza A Secretaria de Estado da Saúde vem detectando um aumento no número de casos de meningite ...

Estado registra 277 casos de meningite no primeiro semestre do ano
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Pais preocupados com a meningite em Vila Velha Cristiane Fernandes das Neves e a filha. Foto: Dayana Souza

A Secretaria de Estado da Saúde vem detectando um aumento no número de casos de meningite viral na Grande Vitória. A faixa etária mais afetada é de 3 a 7 anos de idade.

A doença afeta as membranas que envolvem o cérebro (meninges) e pode até levar à morte. De acordo com a Sesa, no primeiro semestre do ano já foram notificados 277 casos, oito a mais que em todo o ano passado, quando foram notificados 269 casos.

Em Vitória, foram registrados 17 casos. Em Vila Velha, foram 27 notificações. Na Serra foram
14, em Cariacica 34 casos e em Viana, três.

O governo estadual emitiu um alerta, com o objetivo de orientar a população e profissionais de saúde
a realizarem diagnósticos mais rápidos. Segundo a Sesa, houve um aumento do número de casos de
meningite viral – mais branda do que a causada por bactérias – na Grande Vitória. Mas os municípios
e a Sesa afirmam que não há surto.

Foi um alerta especial para Viana, Cariacica e Vila Velha – principalmente na faixa etária de 3 a 7 anos. A pediatra referência técnica em meningite da Sesa, Silvana Guasti, explicou que houve aumento de casos em crianças.

“Mas todos estão susceptíveis a ter a doença. Por isso, é importante ter a caderneta de vacinação em dia e ficar atento aos sintomas, como febre alta, dor de cabeça forte, vômito, naúseas e rigidez de nuca.
A meningite viral é mais leve, mas a bacteriana pode ser muito grave.”

O infectologista Fábio Coutinho, da clínica Kantinho, explicou que a transmissão em geral é por via
respiratória, por meio de gotículas de saliva, ao tossir ou espirrar. “Deve-se evitar espaços fechados, usar álcool em gel nas mãos e, ao espirrar, cobrir a boca com a dobra do cotovelo para não sujar as mãos. A meningite meningocócica  pode matar em 24 horas. Se a doença for causada por vírus, o paciente, em geral fica doente por 7 a 10 dias e melhora.”

O infectologista Paulo Peçanha afirmou que os números da doença podem ter subido devido ao tempo frio que durou mais no Estado este ano. “Todos precisam estar vacinados. Há vacina na rede pública para crianças menores de 1 ano, e depois há um reforço no adolescente. O adulto pode também tomar um reforço em qualquer idade na rede particular. Vale lembrar que a meningite pode ser pneumocócica. A vacina contra pneumonia também protege.”

Pais preocupados em Vila Velha

A artesã Cristiane Fernandes, 39, está preocupada com a onda de meningite que afetou a creche onde a filha mais nova Júlia, 5, frequenta, em Soteco, Vila Velha.

“Os pais estão preocupados. Foram quatro casos de meningite só na creche dela. Semana passada, a
escola ficou fechada devido aos casos. Nos disseram que seria para fazer higienização no local.”

Segundo ela, a escola informou aos pais que todos os casos foram meningites virais, que são casos
mais leves da doença. “Mesmo assim, ficamos com medo. Minha filha não foi para a escola hoje (ontem), pois estava gripada. Se ela estiver melhor, amanhã ela vai. Tanto Júlia quanto minha mais velha, a Ana Carolina, 8, estão vacinadas.”

É importante higienizar sempre as mãos

O que é meningite

>É um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
Pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos, ou também
por processos não infecciosos.

>As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, devido sua magnitude, capacidade de ocasionar surtos, e no caso da meningite bacteriana, a gravidade dos casos.

>No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais, sendo mais comum a ocorrência das meningites bacterianas no inverno e das virais no verão.

Os sintomas

>O quadro clínico caracteriza-se por dor de cabeça, aversão à luz, rigidez de nuca, náuseas, vômitos e febre. O reservatório principal é o homem e a transmissão é via fecal-oral (ingestão de algo contaminado) e respiratória (por meio de gotículas de saliva, ao tossir ou espirrar). Os sintomas, quando a meningite é causada por vírus, são mais brandos.

O que causa

>Na meningite bacteriana, o paciente pode ter alguma função motora afetada – podendo ser reversível ou não –, causar surdez ou até levar à morte. O risco de morte e de sequelas com a doença bacteriana não tratada chega a ser de 90%.

Prevenção

>Deve-se evitar ambientes fechados, cobrir a boca com a dobra do cotovelo ao tossir ou espirrar, para não sujar as próprias mãos e de outras pessoas. Também é importante usar álcool em gel para higienizar as mãos.

Vacinação 

>A vacina contra meningite tipo C é ofertada na rede pública. Ela é indicada para bebês a partir de 3 meses de idade. Há ainda o reforço para adolescentes.
>Já a vacina contra meningite tipos ACWY e B estão na rede particular. A meningocócica AWCY custa cerca de R$ 340, ofertada a partir de 3 meses, sendo três doses; e a meningocócica B, R$ 600, sendo três doses iniciadas aos 3 meses de idade. O adulto também pode tomar reforço.

>Quanto à pneumonia, no SUS, é ofertada a vacina Polissacarídica 23, contra 23 tipos de bactérias, indicada para crianças menores de 2 anos, pessoas com mais de 60 anos, principalmente residentes em asilos, indígenas, profissionais da saúde e gestantes, ou pessoas que apresentem condições que predisponham às infecções.

Os números

>De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), este ano já foram notificados 277 casos. Em todo o ano passado, foram 269.

>Em Vitória, foram verificados 17 casos. Em Vila Velha, foram notificados 27 pacientes. Na Serra, foram 14 notificações. Já em Cariacica, foram 34 casos e em Viana, três. Os municípios ofertam a vacina contra meningite para crianças com menos de 1 ano, com reforço após 1 ano e outro reforço aos 12 anos.

Fonte: Ministério da Saúde, Sesa, prefeituras e médicos consultados

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