
Todos os dias, ainda de madrugada, ela saía de sua casa, na Barra do Jucu, em Vila Velha, e ia de carro até a escola particular onde trabalhava, no bairro Divino Espírito Santo, mesmo município. Porém, às 5h10 de ontem, a comerciante Solange Madalena Cardoso Rodrigues, de 59 anos, se envolveu em um acidente de trânsito e teve a vida interrompida, na Rodovia do Sol.
A vítima já tinha comentado diversas vezes com a irmã, uma professora, de 65 anos, o medo que sentia ao trafegar pela rodovia. “Ela sempre falava comigo: ‘eu ainda vou morrer na Rodovia do Sol’.
O grande medo dela era a falta de acostamento e a imprudência dos motoristas que trafegam pela pista”, declarou a irmã de Solange.
A vítima estava em seu Fiesta prata, placa OVJ-0207, na Rodovia do Sol. Quando atravessava o cruzamento da rodovia com a rua Deolindo Perim, no bairro Itapuã, de onde vinha o Kia Sportage prata, placa NWN-3366 (BrasíliaDF), conduzido por Roberto Moreira dos Anjos Neto, 30 anos, aconteceu a colisão.
Segundo a polícia, imagens de câmeras de videomonitoramento da região flagraram quando Roberto avançou o sinal vermelho.
Ele ficou ferido, foi socorrido e levado para um hospital da Grande Vitória. De acordo com a perícia criminal da Polícia Civil, Solange estava usando o cinto de segurança, mas mesmo assim não resistiu aos ferimentos. Ela morreu no local. A irmã da vítima revelou que a comerciante, que arrendava a cantina da escola onde trabalhava, era uma motorista cautelosa.
“Ela sempre foi muito prudente e cautelosa, até mesmo porque tinha medo da rodovia. Fazia o trajeto todos os dias, mais ou menos no mesmo horário. Estamos muito comovidos e abalados com o que
aconteceu, e as aulas da escola onde ela trabalha foram suspensas pela manhã. Minha relação com
ela era a melhor possível”, disse.
A comerciante completaria 60 anos na segunda-feira. “Anteontem (quarta-feira) eu conversei com ela e falei que ela era o meu orgulho e que tinha nascido para brilhar. Ela riu e falou: ‘você está se despedindo de mim?’ e eu disse que não, que ela quem iria me enterrar um dia. Mal sabia eu o que iria acontecer”, disse a professora.
Reportagem de Simony Giuberti para o jornal A Tribuna deste sábado.