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Flanelinha é espancado em bairro nobre de Vitória

Um flanelinha de 23 anos foi espancado com coronhadas e uma barra de ferro na noite de quarta-feira (6), no bairro Santa Lúcia, em Vitória. ...

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Um flanelinha de 23 anos foi espancado com coronhadas e uma barra de ferro na noite de quarta-feira (6), no bairro Santa Lúcia, em Vitória. Testemunhas relataram que a vítima estava trabalhando e foi agredida pelo segurança de uma academia de luta, depois de receber uma gorjeta.

Segundo investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime aconteceu na rua Constante Sodré.  A vítima contou à polícia que estava trabalhando no local a convite de amigos por conta de um evento que acontecia num cerimonial.

Uma comerciante, de 42, que pediu para não ser identificada, relatou que o jovem foi agredido por volta das 20h30, após receber uma gorjeta de uma motorista. “Ele estava vigiando um carro, em frente à  academia, quando uma senhora veio e lhe deu uma gorjeta.  O segurança se irritou com a situação e o atingiu com uma barra de ferro na cabeça e depois  pelo resto do corpo”, contou a mulher.

Em conversa com os investigadores, a vítima disse que o segurança teria se identificado como policial e a ameaçado com uma arma de fogo. Segundo a polícia, o jovem teve graves lesões no crânio e nos membros inferiores e sangrava muito na cabeça.

Clientes de uma pastelaria viram a situação, ficaram  indignados  com a cena, e correram para ajudar a vítima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)  foi acionado pelos moradores, mas segundo eles, a ambulância demorou mais de três horas para ir até o local. “O menino estava sangrando na calçada, não conseguia levantar sozinho, e eles diziam que só viriam socorrer com a presença da polícia. E quando chegaram trataram todos com grosseria. Um absurdo”, relatou uma testemunha.

Na rua, o jovem é conhecido como uma pessoa gentil e trabalhadora.  Os moradores ainda não sabem o que  teria levado o segurança agir de forma  violenta. “Ele é um jovem trabalhador. Ele e o pai são muito queridos por aqui. Esse homem foi muito cruel. O garoto foi surpreendido pelas costas. Ainda não estamos acreditando que fizeram isso com ele”, disse um amigo de trabalho da vítima, que pediu para não ser identificado.

Outro colega disse que a agressão foi covarde. “Ele bateu com barra de ferro e deu coronhadas nele”, lembrou. O jovem foi levado para o Hospital São Lucas, em Vitória, e liberado no final da manhã desta quinta.

O pai do flanelinha, Dionísio Santos Pinto, 48 anos, disse que só ficou sabendo nesta quinta-feira sobre o espancamento. “Eu chamei meu filho para ficar trabalhando aqui comigo para conseguir um dinheiro para lanchar. Ele não fica no local onde aconteceu o fato. Só ontem (quarta) que ele foi lá. Fiquei sabendo que ele foi espancado hoje (quinta) de manhã, quando fui trabalhar, porque ele  não dormiu em casa. Fui ao hospital ver como ele estava e levar roupas para ele”, contou.

SEGURANÇA

O proprietário da academia de luta, Frederico Luiz Zaganelli, afirmou que o local não conta com segurança particular e acredita que a agressão pode ter sido partido de algum aluno.

“Acredito que pode ter sido algum aluno, que ainda não sei quem foi, que pode ter sido coagido pelo flanelinha e reagido. Não foi segurança, porque não temos segurança particular”, garantiu ele.

Segundo o proprietário, policiais também costumam frequentar aulas de defesa pessoal na academia.  Zaganelli ainda contou que os assaltos são frequentes na região. “Uma padaria aqui perto foi assaltada tantas vezes que ela fechou”, revelou ele.

Em nota, informou que a  fiscalização de flanelinhas é feita pela Prefeitura Municipal. A PM disse que realiza patrulhamento constante em todo bairro Santa Lúcia e que a população deve acionar o Ciodes-190, em caso de ocorrências.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) esclareceu, em nota, que os atendimentos do Samu 192 em casos de violência, como agressão, por exemplo, são realizados com apoio policial. Informou ainda que no momento em que recebeu o chamado, às 21h42, todas as ambulâncias estavam em atendimento. Assim, que uma ambulância foi liberada e, com o apoio da polícia, ela esteve no local.

Reportagem: Jéssica Cardoso e Leone Oliveira

 

 

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