
O general do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão apontou a possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo País, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições. A afirmação foi feita em palestra realizada na noite de sexta-feira (15), na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, e causou desconforto.
“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos de impor isso”, disse Mourão.
O comentário do general ocorreu um dia após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda vez o presidente Michel Temer por participação em organização criminosa e obstrução da Justiça, uma das últimas “flechas” de Janot antes de deixar o cargo, o que ocorreu ontem.
Na palestra, Mourão citou ainda o juramento militar de “compromisso com a Pátria. “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor”.
Procurado nesse domingo (17), Mourão afirmou que não estava “insuflando nada” ou “pregando intervenção militar” e que a interpretação das suas palavras “é livre”. Segundo ele, apenas respondeu a uma pergunta. O general disse ainda que falava em seu nome e não no do Exército. No entanto, Mourão estava fardado ao fazer a palestra.
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que “não há qualquer possibilidade” de intervenção militar. “Desde 1985 não somos responsáveis por turbulência na vida nacional e assim vai prosseguir”.
Oficiais-generais criticaram a afirmação de Mourão, considerada “desnecessária” neste momento de crise. Segundo o comandante do Exército, o assunto “internamente já foi conversado e o problema está superado”. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, conversou com Villas Bôas, que ligou para Mourão para saber o que houve.
Não é a primeira polêmica protagonizada por Mourão, em outubro de 2015, ele perdeu o Comando Militar do Sul, por ter atacado indiretamente a então presidente Dilma Rousseff.