
“Não se identificou qualquer conduta negligente ou imprudente por parte dos dirigentes da Associação Chapecoense de Futebol que efetivaram a contratação da empresa LaMia. Além disso, não surgiu qualquer elemento que indicasse ter havido pagamento de valor indevido ou outro interesse escuso na contratação da empresa aérea”, diz a nota à imprensa divulgada pelo MPF.
As investigações tiveram início em dezembro de 2017, após reunião em Santa Cruz de la Sierra com membros do Ministério Público da Bolívia e da Colômbia. Além de identificar possíveis culpados nos países vizinhos, o objetivo era verificar se houve envolvimento de brasileiros no acidente.
De acordo com o comunicado, não existem evidências de que algum brasileiro tenha responsabilidade sobre a tragédia, cuja principal causa apontada pelo inquérito ainda é a falta de combustível -no entanto, a análise conduzida pelo Grupo de Investigação de Acidentes Aéreos (Griaa) ainda não foi encerrada.
Entretanto, é importante destacar que o MPF constatou indícios de possíveis irregularidades na autorização expedida pela Agência Nacional de Avião Civil (Anac), em voos contratados pela AFA (Associação do Futebol Argentino) para a seleção argentina de futebol.
Duas semanas antes do acidente com a Chapecoense, Messi e companhia voaram na mesma aeronave da LaMia. O destino em questão era a cidade de Belo Horizonte, onde a Argentina enfrentou o Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
Além disso, a investigação obteve elementos que mostram possíveis fragilidades no sistema de autorização de voos fretados pela agência. Já foram expedidos ofícios à Anac, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Secretaria Nacional de Avião Civil, que devem adotar as medidas cabíveis em suas esferas de atribuição.
A Procuradoria da República no Distrito Federal receberá uma cópia integral dos autos. Os familiares das vítimas e demais pessoas com interesse jurídico podem requisitar uma versão em mídia digital, mediante a assinatura do termo de compromisso de não-divulgação de imagens e fotos que possam gerar comoção ou prejuízo de ordem moral à memória dos 71 mortos e seis sobreviventes.
(UOL/FOLHAPRESS)