
Depois de quase cinco meses desaparecido, o estudante de psicologia Bruno Borges, de 25 anos, voltou para casa na manhã desta sexta-feira (11).
Em conversa com um repórter do Portal Acre 24 horas, o pai de Bruno confirmou a volta do filho para casa, mas não informou o motivo do sumiço. “Sim, voltou. Está aqui em casa. Nós não vamos falar nada agora, só mais para frente. Ele não vai falar nada”, disse o empresário Athos Borges.
Antes de sair de casa, no dia 27 de março, Bruno deixou diversos escritos no teto e nas paredes de seu quarto, além de uma estátua do filósofo Giordano Bruno. O estudante também deixou para trás 14 livros codificados e escritos à mão.
O sumiço de Bruno gerou grande repercussão uma série de teorias. Amigos próximos tinham conhecimento do seu plano de escrever obras de filosofia e do seu desejo de se isolar. Bruno é descrito como um rapaz inteligente, que lia muitos livros e pretendia doar o que ganhasse com sua obra.
A retirada dos móveis, as inscrições na parede, assim como a chegada da estátua, ocorreram em pouco mais de 20 dias, período em que o quarto ficou trancado e os pais viajavam de férias.
Polícia suspeita de plano de marketing
A Polícia Civil do Acre apreendeu contratos feitos entre Bruno e seus amigos prevendo a distribuição de lucros pela venda dos 14 livros que o estudante de psicologia deixou criptografados.
Os documentos foram encontrados na casa de um dos amigos, Marcelo Ferreira, 25, que chegou a ser detido, mas deve ser liberado ainda nesta quarta. Ele e Márcio Gaiote, outro amigo, responderão a inquérito por falso testemunho segundo o delegado Alcino Júnior, responsável pelo caso.
Na casa de Márcio, que vive atualmente na Bahia, a polícia encontrou há cerca de dez dias a cama e um móvel do quarto de Bruno. Antes de sumir, o jovem se desfez da mobília e ornamentou o quarto com inscrições e símbolos, além de uma estátua do filósofo italiano Giordano Bruno.
Os amigos de Bruno, segundo a investigação, o auxiliaram no seu projeto e não contaram tudo o que sabiam à polícia. “Os dois estavam seguindo o plano de divulgação para a mídia dessas obras”, disse Júnior à reportagem.
O delegado afirmou também que, em conversas de WhatsApp, os dois comentavam a ampla divulgação do caso e diziam que iam ficar ricos.
“Eles estão surfando nessa onda para ganhar dinheiro. Quem sabia que o Bruno ia sumir para dar esse ibope todo para a divulgação e depois publicação eram eles”, disse Júnior.
O delegado afirma que, com a nova apreensão, ficou claro que não há crime por trás do sumiço do rapaz. “A ideia era esclarecer se tinha ou não um crime relacionado a esse desaparecimento. Hoje a gente põe uma pá de cal em cima disso. A localização dele agora é bastante secundária, até porque não é crime querer desaparecer. A gente tem interesse em achá-lo, mas não é uma prioridade.”
“Esse desaparecimento tinha fortes indícios de que tinha o objetivo mesmo de um plano de marketing”, completou Júnior.
CONTRATOS
O contrato com Marcelo prevê que o amigo receba 15% do “faturamento bruto do Projeto Enzo e das 14 literaturas iniciais que farão parte do lançamento do projeto”.
O pagamento seria feito todo dia 10 de cada mês. Para Márcio, seriam destinados 5%. O primo de Bruno, Eduardo Borges, que lhe emprestou R$ 20 mil para a empreitada, ficaria com outros 15%.
O contrato foi redigido no dia 10 de março e teve a firma reconhecida por Bruno no dia 27 daquele mês, data em que desapareceu. Um das cláusulas afirma que “o evento será inaugurado e lançado até o final do mês de abril de 2017”.
“Todo o lançamento do projeto será feito pelo autor e da maneira que julgar necessária”, diz ainda o documento, que proíbe rescisão.
Na casa de Marcelo, a polícia também encontrou maconha e, por isso, o jovem ficou detido na delegacia.
À época do desaparecimento, o amigo, que ajudou Bruno a decorar seu quarto, afirmou à Folha que o jovem chegou a ficar sem comer. “Ele trabalhou vorazmente, não comia em alguns dias que escrevia nas paredes, teto, chão e móveis. Isso veio através de uma experiência mística que Bruno obteve em um ecstasy divino.”
Com informações do Portal Acre 24 horas e da Folhapress