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Jovens trocam a cidade por emprego no campo

Rodrigo, Tássia e João trocaram a cidade pelo campo. Foto: Fábio Vicentini/AT Desempenho positivo no campo tem atraído jovens da cidade ao interior ...

Jovens trocam a cidade por emprego no campo
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Rodrigo, Tássia e João trocaram a cidade pelo campo. Foto: Fábio Vicentini/AT

Desempenho positivo no campo tem atraído jovens da cidade ao interior do Estado, que buscam aliar tecnologia e qualidade de vida

O desempenho positivo no campo, aliado à crise nos centros urbanos — que levou ao desemprego em massa e ao fechamento de postos de trabalho — fez o olhar de jovens, comprometidos com o sucesso profissional, se voltar ao agronegócio.

A ascensão do setor agrícola nos últimos seis meses é uma das razões pela qual 10 mil jovens no Espírito Santo realizaram a troca dos centros urbanos pela vida rural.

Como mola propulsora do crescimento do Brasil, o agronegócio tem incentivado o caminho inverso das décadas passadas, quando era característico o êxodo rural.

Os jovens Rodrigo Pereira, 25, Tássia Luiza Ribeiro Marques, 28 , e João Gabriel Pereira Magnago, 29, respectivamente, têm uma trajetória em comum: trocaram a cidade pelo campo, em Marechal Floriano.

Engenheiro mecânico de formação, Rodrigo retornou a Marechal há cerca de dois anos. Hoje trabalha como supervisor de qualidade da Oi Frango. O médico veterinário João Gabriel atua como gerente de produção no Grupo Venturini.

Formada em Gestão Financeira, Tássia é gerente da pousada Tre Bambine de sua família, e também auxilia no comércio de doces e licores.

Vantagens do campo

Além dos empregos na zona rural, segurança, investimentos em tecnologia e qualidade de vida também são atrativos para os jovens.

“No passado, o sonho das famílias do interior era formar doutores e esses jovens tocarem a vida na cidade. Hoje, o incentivo é o mesmo, mas há outro importante fator: a volta desses profissionais qualificados ao interior”, enfatizou Marcus Magalhães, gerente de agroecologia e produção vegetal da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag).

“É uma mudança de gerações capacitadas que estão no comando dos negócios no campo. O êxodo rural do passado agora se inverteu”, acrescentou Magalhães.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, de janeiro a julho deste ano, foram criados 18.698 empregos na agropecuária capixaba. A estimativa, de acordo com Magalhães, é de que, no Estado, 10 mil jovens foram à procura dos novos postos de trabalho no campo, em detrimento da vida na cidade.

“Não há dúvidas de que sejam criados ainda mais empregos no campo nos próximos meses. A bola da vez é o mundo agro. A percepção do jovem de que o mundo está no campo e não mais na cidade está cada vez mais real”, afirmou.

Para Magalhães, o cultivo do café valida ainda mais essa expectativa, já que, em 2018, a previsão é de que a safra será melhor que em 2017 e 2016, devido ao maior volume de chuvas.

Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo, Júlio Rocha, o Estado acompanha a média nacional de crescimento do setor. Segundo ele, é necessária a recuperação do valor das principais commodities agrícolas capixabas, como o café.

“Tivemos uma modesta recuperação, mas que já trouxe e ainda vai trazer resultados positivos, como a maior criação de empregos voltados ao agronegócio”, frisou.

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Opiniões

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Continuidade ao cultivo do café

Foto: Elan Costa/AT

Engenheiro agrônomo há quatro anos, Genézio Mauri Filho, 28 anos, saiu de São Gabriel da Palha para cursar Agronomia em Alegre.

Ele afirma que, por ser do interior, o campo não poderia deixar de ser o seu destino natural.

Dando continuidade à produção familiar de café, o jovem diz que pretende seguir com o trabalho no campo.

“Trabalhei por três anos em uma empresa de incisos agrícolas, mas retornei para minha cidade e hoje estou colhendo bons frutos”.

“Verdadeiro desafio”

Foto: Elan Costa/AT

Advogado de formação há 6 anos, Daniel Lessa, 29 anos, já foi dono de academia de ginástica e de uma empresa de impressão gráfica. Em 2014, o advogado vendeu suas empresas e decidiu investir na propriedade familiar de lavoura de café em Pinheiros.

“Fui para a roça e colhi uma safra boa, fiquei muito animado. Logo depois teve uma seca histórica no Estado e perdi 80% da produção, foi um verdadeiro desafio”.

Daniel afirmou que dobrou a quantidade de funcionários para o trabalho na última colheita.

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Mais empregos que a construção civil

A expansão do agronegócio, nos últimos seis meses, fez aumentar a oferta de empregos no campo e já está empregando nove vezes mais que o setor da construção civil.

Em julho, a agropecuária foi responsável pela admissão de 7.055 trabalhos formais no Brasil.

No mesmo período, a construção civil contratou 724 funcionários, conforme a evolução de empregos por atividade econômica divulgada pelo Ministério do Trabalho.

De acordo com dados fornecidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, de janeiro a julho deste ano, a agricultura teve um saldo positivo de 125.686 admissões. Já a construção civil teve saldo negativo, de 32.714 demissões na área.

Segundo o Ministério, trabalhadores que atuam no cultivo de árvores frutíferas, na cultura do café e da cana-de-açúcar, volantes na agricultura e empregados agropecuários em geral tiveram um acréscimo de 36.329 vagas de trabalho formal no último mês, reflexo do desempenho do setor no País.

O Espírito Santo acompanha a média nacional de desempenho na criação de empregos no agronegócio. Os números de expansão se concentram na agropecuária, com 1.815 contratações no último mês.

A indústria metalúrgica, por exemplo, teve um total de admissão de 537 funcionários no mesmo período.

Entre admissões, os municípios do Estado com mais de 30 mil habitantes criaram 6.668 empregos em várias áreas em julho. Em contrapartida, a Grande Vitória teve 13.021 demissões nesta época.

No primeiro semestre do ano, 53.071 vagas com carteira de trabalho foram criadas nos municípios rurais no Estado.

Já a região metropolitana teve um saldo negativo de 99 mil vagas, segundo o Ministério do Trabalho.

O volume de chuvas está favorecendo o bom desempenho do campo e abrindo novos postos de trabalho nas zonas rurais do Estado.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o agronegócio é o “motor de geração de empregos”.

“Aliado à tecnologia, o trabalho no campo não se limita mais à enxada. Em todo o processo, desde a produção à comercialização dos produtos do agronegócio, a tecnologia se faz presente. De olho nas oportunidades, os jovens estão se especializando e indo para o campo agregar conhecimentos técnicos”, ressaltou o secretário.

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Oportunidades em cidades do interior

Aracruz – 9 vagas

Vagas: há oportunidades para técnico agrícola e técnico de meio ambiente.

Inscrição: no Sine da cidade, na avenida Venâncio Flores, Centro.

Colatina – 15 vagas

Vagas: são 5 oportunidades para motorista carreteiro.

Inscrição: no Sine da cidade, na avenida Getúlio Vargas, 98, Centro.

Linhares – 34 vagas

Vagas: há oportunidades para fiscal de campo e mecânico de manutenção de máquinas industriais.

Inscrição: no Sine da cidade, na avenida Governador Lindenberg, 660, Centro.

Nova Venécia – 7 vagas

Vagas: para técnico de refrigeração e supervisor de vendas.

Inscrição: no Sine da cidade, que fica na rua Jussara, 10, bairro Margareth.

São Mateus – 18 vagas

Vagas: são oportunidades para técnico agrícola e líder de expedição.

Inscrição: no Sine da cidade na Praça Anchieta, 152, Centro.

Fonte: Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social, no Estado do Espírito Santo (Setades)

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Cuidado com os animais da fazenda

Foto: Elan Costa/AT

O médico veterinário Tiago Rigo, 28 anos, trabalha com a pecuária do leite e é responsável pela saúde dos animais da fazenda.

Além disso, em seu trabalho no campo ele também realiza cirurgias nos aimais e controla a parte reprodutiva.

Ele afirmou que a grande influência do seu trabalho na zona rural é devido à oportunidade de dar continuidade ao negócio familiar, que começou com seu avô.

“Fui criado no meio dessa atividade, por isso resolvi me especializar para aumentar a produtividade da fazenda e também ter um leite de melhor qualidade”.

Atualmente, na sua propriedade, localizada em São Gabriel da Palha, há, em média, 300 vacas para produção de leite.

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Agronegócio é responsável por 27% do PIB capixaba

Responsável por ser um dos alicerces das riquezas capixabas, o agronegócio, atualmente, representa 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo.

Em termos de atividade econômica nacional, o PIB do agronegócio voltou a crescer, acumulando alta de 0,36% nos últimos meses, saldo positivo em comparação com anos anteriores.

Essa melhora reflete a continuidade da expressiva expansão do segmento primário, somada à retomada da expansão da agroindústria em maio deste ano, dado mais recente disponível.

A agropecuária tem se mostrado o motor da geração de empregos e segue em alta na economia estadual. De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o número favorável é devido ao volume de chuva dos últimos meses e ao investimento do governo estadual nas zonas rurais do Estado.

O programa Caminhos do Campo, citado pelo titular da pasta, tem o objetivo de adequar e revestir as estradas rurais capixabas, priorizando as áreas de maior concentração de agricultura familiar para melhorar o escoamento da produção e reduzir os custos e as perdas dos produtos perecíveis.

Desde 2003, de acordo com Octaciano, foram pavimentados 1.500 quilômetros de estradas rurais.

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Permanência do jovem no campo

Christiane fala de incentivo aos jovens. Foto: Divulgação

A promoção da permanência dos jovens no campo é a principal motivação do programa “Sucessão Familiar Rural — Sucessores no Campo”, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES).

O objetivo do projeto, segundo Christiane Barbosa e Castro, gerente da unidade de atendimento setorial de agronegócio do Sebrae, é aprofundar conceitos que permeiam a gestão de uma propriedade rural, a fim de promover a sucessão no campo.

“Damos total apoio a esse interesse do jovem em se fixar no campo. É importante promovermos uma linguagem customizada, que atenda aos interesses da juventude”, ressaltou Christiane.

De acordo com a gerente do Sebrae-ES, a primeira oficina do projeto aconteceu em Linhares, no último mês, e teve uma grande participação de produtores rurais.

O projeto vem para facilitar os processos de tomada de decisões nas propriedades rurais, suas causas e consequências.

Christiane ressaltou que o momento atual do agronegócio é uma espécie de “terceira onda do café”. “Filhos de cafeicultores estão se interessando pelo movimento no mercado de um café mais elaborado em cafeterias cada vez mais modernas. Por isso, não deixamos de lado a tecnologia na apresentação do nosso programa”, disse.

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Análise de Julio Cezar Mendel

Julio é presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Espírito Santo (Fetaes)

“Setor que cria empregos deve ter maiores incentivos”

“O agronegócio segue em alta e oportunizar a juventude a permanecer no campo contribui com a evolução no setor.

O jovem vai para os grandes centros e retorna à zona rural para levar ainda mais técnicas. Com o campo mais jovem e mais tecnológico, fica mais possível mostrar o poder do agronegócio.

Respeitando o meio ambiente, a tecnologia e a modernidade são fundamentais não só na cidade. Há uma necessidade imperiosa por mão de obra qualificada. Esses jovens que estão voltando para a propriedade familiar e dando continuidade à produção agrícola proporcionam maior qualidade aos produtos e, consequentemente, agregação no valor, gerando maior renda.

No Espírito Santo, 93% das propriedades rurais são mantidas em regime de sucessão familiar.

O êxodo rural, no entanto, ainda tem números expressivos, isso por falta de políticas públicas para a agricultura. Um setor que cria tantas oportunidades de emprego deve ter maiores incentivos.”

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Reportagem especial de Andreia Ferreira para o jornal A Tribuna do dia 27/08/2017

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