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Machão que nada! Humberto Martins fala sobre comparações com personagem em entrevista ao AT2

Foto: Divulgação/Globo Na ficção, ele até pode enganar ao interpretar personagens sisudos, mal-humorados, que esbravejam, batem na mesa e dão as ...

Machão que nada! Humberto Martins fala sobre comparações com personagem em entrevista ao AT2
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Humberto Martins em A Força do Querer Foto: Divulgação/Globo

Na ficção, ele até pode enganar ao interpretar personagens sisudos, mal-humorados, que esbravejam, batem na mesa e dão as ordens.

Mas a vida de Humberto Martins fora dos palcos e da TV não tem nada disso. O papel de machão fica apenas para personagens como Eurico, de “A Força do Querer”.

Solteiríssimo, o ator carioca é pai de três filhos e avô de uma menininha. Aos 56 anos, ele garante, em entrevista ao AT 2, que assume numa boa o papel de “dona de casa”, com direito a limpeza, pilotagem de fogão e até brincadeira de bonecas com a caçula Nicolle, de 11 anos.

Humberto Martins em A Força do Querer Foto: Reprodução

“Machão? P… nenhuma! (Risos) Me viro sozinho. Tenho uma ajudante que, uma ou duas vezes por semana, vai lá em casa. Lavo, passo, cozinho. Hoje, temos equipamentos que nos ajudam nisso tudo: aspirador que suga água,  bons  produtos! Coloco água no balde, um Veja e passo pano. Isso é mole!”, garante, aos risos.

Durante as gravações da novela, Humberto divide-se entre Orlando, nos EUA, e o Rio. Em terras americanas, o ator vive com a filha Tamires, 27, e a neta Sophia, de 6 meses.

Para Humberto Martins, a relação com os herdeiros é pautada pelo diálogo, sem espaço para palmadas. “Nunca bati nos meus filhos. Dou um esporro bem dado, prefiro. Falo com eles para me escutar, para abrir os olhos para as coisas, que amigo não vai se preocupar com eles. E assim levamos nossa relação: são obedientes e meus amigos. Andamos de kart, velejamos, fazemos stand up, skate, bicicleta”, conta o ator, que tem o filho Humbertinho, 21, como um dos companheiros de aventura.

“Eu peço perdão”

AT2 Como foi dar vida a Eurico, um bruto de coração mole? Deu seu toque especial?

HUMBERTO MARTINS Sim, sempre. Eurico fala alto, é mal-humorado… Passou a jogar umas vozes pelos corredores do tipo: “Dona Biga! Já providenciou…” (Risos) “Silvana!” (Risos) E o povo treme. O Eurico é muito voz. Grosseirão, não dá bom-dia para as pessoas. Ele foi constituído com muita coisa de teatro, sobretudo a expressão corporal.

Outra coisa: usei muitas coisas de época, expressões antigas, como “C a c i l da ”, “Quando eu falo…”,
“Olha a zebra que dá!”, “O Ruy é um bobão”. Olha, me divirto demais com ele, mesmo com as oito horas diárias de gravação.

>Tem semelhança com ele?

Nada! Eurico é apaixonado pela Silvana (Lilia Cabral), é conservadorista e, com isso, vem a discriminação, vem a homofobia… E vêm todas essas coisas mais rudes e mal-humoradas dele. Ele também se encaixa bem nesse contexto de mundo capitalista, adora empresa. É um cara que se acha muito dono da razão e, no contexto da história, acerta em algumas coisas.

>Então, são completamente diferentes?

Completamente! Tive uma criação conservadorista mas, mesmo assim, meu pai era um cara de vanguarda para o período, era bastante aberto.

Mas conheci muitos caras rígidos, pais dos meus amigos que eram cheios de merdas. Tinham atitudes opressoras. O que é isso? Péssimo! As pessoas têm que se colocar no lugar das outras. Eu peço perdão quando erro. Sou do “um por todos e todos por um”.

>E como são as abordagens nas ruas?

(Risos) Maravilhosas! Adoro! As pessoas falam: “Sua mulher vai te falir!”, “Olha o estelionato”, “Euri -co, larga a Silvana!”, “Ela é maluca ”… Dou boas risadas com tudo isso. Me divirto, tiro fotos. (Risos)

>O Eurico é um paizão e, do jeito dele, procura ser um bom marido. E você?

Olha, a preocupação dele é com a grana, nem liga muito para a filha. Mas eu brinco sim. Minha filha puxa a brincadeira e vou nessa. Faço trejeitos de mulher, mas aproveito para passar meus recados. Transformo esses momentos em algo educativo, falo de comportamento, que ela precisa ser uma boa moça.

>É daqueles cinquentões que arrancam suspiros. Como lida com a vaidade?

Não me acho tudo isso… (Risos) Estou há um ano sem malhar, somente jogando golf, que é leve. Mas, com o final da novela, pretendo retomar. Mas cuido muito da minha alimentação, faço alongamento três vezes ao dia. Acho importante exercício aeróbico.

>Como encara as rugas?

Quando olho minhas fotos de quando era mais novo, até reconheço que eu era bonito. (Risos) Mas encaro minhas rugas como troféu da minha vida, tanto pessoal quanto da dramaturgia. São linhas e marcas que me fizeram aparecer como ator, surgiram dentro da minha atuação.

 

Reportagem de Deborah Hemerly

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