
Feyisa Lilesa faturou uma medalha de prata na maratona neste domingo (21). O momento, histórico em sua carreira, pode ser um peso muito maior do que imaginamos. É que, ao cruzar a linha de chegada, o atleta cruzou os punhos sobre a cabeça, em um protesto contra a situação política de seu país, o que pode fazer com que ele sofra sérias represálias.
“Pode ser que me matem”, chegou a dizer o etíope. Lilesa pertence ao povo de Oromia, que tem feito sucessivas manifestações contra o atual governo da Etiópia, pois se sente perseguido. Segundo a organização Human Rights Watch, mais de 400 pessoas já morreram desde o início dos protestos.
“O governo etíope está matando o povo de Oromo e tomando suas terras e seus recursos, então o povo de Oromo está protestando. Meus parentes estão na prisão e, se eles falarem sobre direitos democráticos, serão assassinados. Eu cruzei minhas mão para apoiar o protesto de Oromo”, explicou Lilesa após a maratona.
Mas o gesto de Lilesa não deve passar sem punição. E nem mesmo a conquista de uma medalha olímpica pode facilitar sua situação.
“Se voltar para a Etiópia, talvez eles me matem. Se não me matarem, me colocarão na prisão. Não decidi nada ainda, mas talvez eu vá para outro país”, lamentou.