
Crédito Tais de Hollanda
Reunido com seis amigos na varanda do apartamento, o músico André Baptista, de 19 anos, contou que a alegria da confraternização na madrugada de terça-feira, 19, deu lugar ao pânico.
“Ouvimos barulhos e perguntaram: ‘Vocês estão ouvindo barulhos de tiros?’ Eu falei que não pareciam tiros. Quando olhamos para trás, vimos tudo caindo e até a mesa da varanda virou”.
Com o impacto, os rapazes se jogaram no chão. Já o músico se debruçou na varanda para ver o que aconteceu e viu uma nuvem de fumaça. Ele acordou os familiares para descerem do prédio. O jovem mora na torre 3, no 4º andar. “Só acordei minha mãe e minha irmã de 15 anos e corri com elas para a escada. Achei que o prédio iria cair. Mas quando desci ajudei crianças a saírem do prédio e até feri minha mão”, contou.

A representante comercial Adriana Pimentel, 45 anos, moradora da torre 1, que fica de frente para a área de lazer destruída. Ela contou que dormia na hora do acidente. Ela contou que o estrondo foi tão forte que inicialmente acreditou ser o barulho de um avião pousando.
“Eu estava dormindo quando ouvi um estrondo e só vi pela janela do meu quarto muita fumaça. Fomos olhar na varanda e não dava para ver nada. Só alarmes de carros disparando. Parecia um pesadelo”.
Ela contou que rapidamente trocou de roupa, pegou bolsa e documentos e foi para o corredor. Não sei se o elevador parou de funcionar ou se desligaram, mas começamos a descer do prédio pelas escadas. Lá embaixo estava tenso, pois tentamos sair por trás do salão de beleza. Mas não teve jeito. Saímos pela frente, em cima dos escombros, em cima de carros. Parecia que estávamos em cena de guerra”.
Ela ainda afirmou que os moradores estão atrás de advogados para correr atrás dos direitos que os moradores tem. “Saímos sem nada e temos de esperar a Defesa Civil nos liberar a entrada, pois não sabemos nem se podemos voltar a morar nos prédios”.

“Acordei com o tremor”, contou advogada
No rosto, expressões de quem estava revivendo cada segundo de terror que viveu ao lado da família. A advogada Adriana Brum, 28 anos, despertou com um barulho acompanhado de um tremor.
Mas, para ela os momentos pareceram mais de pesadelo e sua prioridade era salvar também a ela, sua mãe, uma dona de casa de 52 anos e o irmão, um administrador, 27. O apartamento da família é no 17º andar, da torre 1.
A Tribuna – Foi o barulho que te acordou?
Sim! O barulho e a sensação de que tudo estava tremendo. Eu achei que um avião tinha colidido contra meu prédio. Ouvi o meu irmão abrindo a porta. Como nossa janela é na parte dos fundos do prédio, não vemos a área de lazer. Já na varanda conseguimos ver tudo.
O que viu?
Quando olhei para baixo na varanda vi muita, muita poeira, mas estava muito escuro por ser madrugada. Vários alarmes de carros dispararam ao mesmo tempo.
E o que fizeram?
Eu já fui ligando para o 190 e trocando de roupa. Depois, eu, meu irmão e minha mãe fomos descendo pela escada. Mas eu ficava pensando: ‘Meu Deus! Se esse prédio desabar, vamos morrer na escada’. Foi uma dificuldade para passar pelos entulhos que ficaram pelo chão, no térreo.
E mesmo horas depois qual a sensação que ficou?
Tenho certeza que minha ficha não caiu. Aposto que quando colocar a minha cabeça no travesseiro ainda vou ouvir aquele barulho alto. Eu tinha ido dormir tarde, meia noite. Às 3 horas aconteceu o desabamento e agora pela manhã ainda estamos todos aqui. Eu não fui ainda e nem sei se vou conseguir ir trabalhar. E queria muito que o porteiro fosse encontrado.
E estão havendo reuniões entre os moradores para pedir providências.
Eu moro nesse prédio há cinco anos e lembro que na entrega dele ouvi gente reclamando do acabamento do prédio. Mas os membros do conselho do prédio fizeram várias reuniões. Mas as empresas vão ter de nos indenizar pelas perdas que tivemos.
Reportagem por Tais de Hollanda