
Além de fazer bem ao próximo, estudo aponta que voluntários têm menos risco de ter depressão e podem viver mais e melhor
O ditado “fazer o bem sem olhar a quem” é o lema da vida de milhares de capixabas, que doam suas habilidades e parte do seu tempo para fazer a alegria de idosos em asilos, crianças em orfanatos, moradores de rua, animais abandonados e muitas outras causas.
Quem se envolve em ações que beneficiam outras pessoas, sem pensar em nenhuma recompensa imediata como alavancar 
Já a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, fez um estudo com jovens, comprovando que fazer boas ações apenas pelo prazer de ajudar diminui reduz os riscos de depressão nesse público.
Para o psicólogo Thiago Cysne, o voluntariado é uma forma de exercitar a empatia, capacidade de se colocar no lugar do outro. O psicólogo explicou ainda que os sentimentos de recompensa, satisfação e plenitude que os voluntários experimentam faz bem para a saúde mental.
“A empatia, para a psicologia comportamental, é um tipo de amor. O indivíduo consegue compreender que algo é muito importante para outra pessoa e ele deixa de se importar com o seu ganho pessoal em favor do outro”, concluiu Cysne.
Preocupada com o meio ambiente desde criança a bióloga e estudante de Pedagogia Rafaela Campagnaro Moraes, 27, decidiu unir a paixão pela natureza e pelo ensino e palestrar em escolas da periferia de São Paulo alertando para a importância de não jogar lixo na rua, poupar água e não maltratar os animais.
“Comecei despretensiosamente, há seis anos. Foi dando certo e hoje é uma atividade fixa, duas vezes na minha semana. É uma terapia. Aprendo muito com as crianças e os adolescentes. Ver o interesse deles não tem preço.”
Costurar, cozinhar, entre outras boas ações, podem fazer bem ao próximo. Ser voluntário transcende os espaços físicos, a relação material e o próprio homem, de acordo com o psicólogo Enéas Lara.
“Há estudos que consideram o “feedback”, tanto intrínseco como extrínseco, um dos maiores benefícios para a relação do ser humano, com sua própria vida. Chega a ser, em torno de trinta por cento, de impacto na qualidade de vida.”
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Unidos pela vontade de ajudar

Recreação e recolhimento de doações para idosos são algumas ações desempenhadas pelos amigos do Girassóis Ações Solidárias. Juntos desde 2015, o objetivo dos quase quarenta membros é compartilhar as habilidades pessoais.
No Asilo de Vitória, no bairro Monte Belo, o voluntário Pedro Olivio Bourguignon ouviu e contou histórias para Maria dos Anjos Martins, que mora no local. Para uma das coordenadoras e voluntárias do Girassóis, Viviane Samaniego, momentos como o de Pedro e Maria compensam qualquer esforço. “O que nos une é a vontade de fazer o bem.”
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Empresa humanizada

A Gincana da Solidariedade é uma disputa colaborativa que envolve voluntários de diversas empresas, coordenada pela Fundação Otacílio Coser. Este ano, participaram voluntários de cinco empresas do Estado (VIWA, Cisa, Rodosol, Eco101, CPVV).
As voluntárias Marcia Cebin, Clereni Masioli, Marinilse Pereira e Elisabeth Andrade angariaram e doaram material de limpeza, atenção e carinho na Obra Social Nossa Senhora das Graças.
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Pessoas generosas são mais felizes, diz pesquisa
A generosidade pode estar mais ligada à sensação de felicidade do que se imaginava. Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, a simples promessa ou intenção de ser mais generoso pode resultar em alterações no cérebro que estão ligadas à felicidade.
Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Nature, não importa quão altruísta você é, desde que seja mais generoso e não haja pensando exclusivamente no seu bem-estar, mas também em ajudar o próximo.
“Você não precisa ser um mártir, se sacrificar, para se sentir mais feliz. Ser só um pouco generoso é suficiente. É incrível que só a intenção de ser generoso gere uma mudança neural antes mesmo de ação acontecer”, disse o cientista e pesquisador Philippe Tobler, durante o anúncio da pesquisa.
No experimento conduzido por Tobler e outros pesquisadores, uma quantia de dinheiro foi prometida para 50 participantes, divididos em dois grupos: um que teria que gastar o que recebeu em outras pessoas e outro que usaria o dinheiro em benefício próprio.
Aquelas que prometeram ser generosas e gastar o dinheiro com os outros em vez de si mesmas, por exemplo, apresentaram uma ativação na “área altruísta” do cérebro, o que foi percebido com a ajuda de ressonâncias magnéticas, que por sua vez, teve uma interação intensa com a parte associada com a felicidade.
Os cientistas indicaram que pretendem continuar o estudo para entender como a comunicação entre as áreas do cérebro pode ser treinadas e reforçadas e se as pessoas só são generosas para se sentirem felizes.
O livro “O poder curativo de fazer o bem”, escrito pelo americano Allan Luks, ex-diretor do Instituto para o Avanço da Saúde de Nova York, baseado em pesquisas científicas, identificou uma clara relação de causa e efeito entre ajudar os outros e ter boa saúde.
Relatos de participantes das pesquisas apontam aumento da sensação de bem-estar após realizar ações filantrópicas, redução nos níveis de estresse e maior equilíbrio emocional. Problemas como úlceras, insônia, dor de cabeça e resfriados constantes também melhoraram após o ingresso no mundo das boas ações.
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Eles espalham o amor

“Realizamos visitas a orfanatos, asilos e abrigos de moradores de rua, levamos doações para as instituições e realizamos atividades no local, levamos música, brincadeiras, e principalmente muito amor e atenção, que é o que eles mais necessitam”, contou um dos coordenadores do grupo Alabanza, Silas Louzada Campos, 23.
Reunidos na Paróquia São Francisco de Assis, em Jardim da Penha, Vitória, Silas e os amigos Larissa Calazans, Letícia Camilate, Dalmon Guzzo e Layra Ramos gostam de levar alegria e amor por onde passam. O Grupo Alabanza conta com cerca de 30 voluntários.
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Jovens e religiosos para o bem

Voltada para moradores em situação de rua a fraternidade O Caminho, uma “congregação que serve a Jesus nos múltiplos rostos dos pobres” conta com a participação de freis e jovens voluntários para servir e distribuir alimento na Grande Vitória.
“Queremos tirar as pessoas dessa condição de rua e mostrar para eles que não é só a comida, mas a possibilidade de ter ajuda real. O alimento é secundário, estamos lá para dar afeto, atenção e para mostrar que eles não são invisíveis”, ressaltou o estudante de Direito e voluntário há um ano, Arthur Cypriano, 23.
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Análise de Rosalina Barros

“Ser voluntário diminui o estresse”
Como seres humanos, precisamos nos sentir úteis e com o trabalho voluntário nos fazemos importantes na vida do próximo, a capacidade de empatia é o impulsionador que mobiliza uma pessoa a se voluntariar.
Quando o voluntariado é feito de maneira fidedigna e sem expectativas de reconhecimento, recompensa ou qualquer outra forma de remuneração, gera, no voluntário, satisfação e maior sensação de felicidade.
Ao promover o bem ao próximo, desenvolvem-se novas habilidades e valores, gera conhecimento, aumenta o networking, diminui o estresse, a ansiedade, a pessoa fica mais bem humorada, por que não é preciso abrir mão de nada, doa-se o tempo e a boa vontade.
A motivação para ser voluntário é interna, ou seja, é um desejo que cresce de dentro para fora, parte da necessidade de compartilhar o que temos de melhor utilizando nossas habilidades.
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1 Melhorar a saúde física e a saúde mental são geralmente as duas principais vantagens apontadas por psicólogos e médicos na vida de quem resolve doar tempo e conhecimento aos outros. Pesquisas apontam que o voluntariado torna as pessoas menos ansiosas, deprimidas e mais felizes.
2 Criar novas amizades é uma das vantagens de ingressar em um trabalho voluntário. Geralmente, os objetivos em comum, que podem ser ajudar ao próximo ou causas como proteção aos animais e conservação ambiental, podem ser tópicos de muitas horas de conversa e do começo de amizades verdadeiras.

4 Mantém o indivíduo ativo, especialmente em períodos de ócio ou transição, como na aposentadoria, durante as férias escolares ou do trabalho e até após uma demissão. É ideal que haja uma certa regularidade, criando uma rotina tanto para quem pretende ingressar no universo da filantropia quanto para quem ou o que vai ser alvo das boas ações.
5 Desenvolver habilidades para ensinar ou ajudar os outros é uma forma de conseguir um retorno em dobro. Voluntários que estudam em casa para ensinar crianças em aulas de reforço, que aprendem trabalhos manuais para desenvolver oficinas criativas, são só alguns relatos reais de indivíduos que retomaram o aprendizado para compartilhar, mas vão levá-lo para o resto da vida.
6 Ajudinha no currículo é mais um ponto a favor da filantropia. Muitas empresas, especialmente fora do País, consideram o voluntário um candidato melhor a uma vaga de emprego, por saber trabalhar em grupo, ter empatia, ser mais sensível.

8 Gerar o ciclo do bem, em que uma boa ação dê origem a muitas outras. Ensinar uma criança a preservar o meio ambiente, poupando os recursos hídricos e não poluindo, faz com que ela repasse os conhecimentos aos familiares e amigos, que por sua vez também poderão continuar disseminando o conhecimento e ajudando a salvar o planeta.
9 Combater o estresse e reduzir o nervosismo, além de melhorar o ambiente familiar e profissional. É difícil imaginar que doar parte do tempo, da paciência e das habilidades para uma causa possa causar tantos benefícios. Entretanto, especialistas em saúde mental, pesquisas científicas e relatos múltiplos de voluntários garantem que ajudar o próximo é mesmo assim tão bom para o indivíduo, seu local de trabalho e até para sua família e amigos.
10 Estimular a proatividade e a liderança, eis outro ponto positivo em ser altruísta, ou seja, desempenhar ações que beneficiam os outros, sem esperar nada em troca. Saber delegar tarefas e também aprender a ouvir, solucionar problemas, exercer a criatividade e a habilidade de ser ensinado também são realidades na vida dos voluntários.
Fontes: The Healing Power of Doing Good: The Health and Spiritual Benefits of Helping Others (O poder curativo de fazer o bem: os benefícios espirituais e à saúde em ajudar os outros), pesquisas científicas, especialistas consultados e relatos de voluntários.
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Reportagem especial de Rayza Fontes para o jornal A Tribuna do dia 16/07/2017
