
Murilo chegou ao Brasil nesta terça-feira, 19, e foi recebido pela mulher Jaqueline e o filho Arthur, de 2 anos. O reencontro com a família no aeroporto Tom Jobim foi um consolo para o jogador que foi cortado da seleção masculina de Vôlei devido às dores na panturrilha esquerda, que inclusive já o tinham tirado da fase final da Liga Mundial de Vôlei.
O jogador vai realizar na tarde desta terça uma ressonância magnética, e seu resultado será determinante para o rumo de sua carreira. No entanto, sua carreira olímpica chegou ao fim. Murilo se despediu da seleção brasileira.

“A Jaque sentiu bastante quando falei com ela. Não falei com meus pais ainda, o Gustavo já me mandou mensagem (voz embargada), muitos amigos, muitos fãs… Só tenho a agradecer. A seleção esse ano para mim acaba. Não da maneira que eu gostaria, mas tudo que fiz foi com muita intensidade, amor, orgulho, e fico feliz por representar o meu país por tanto tempo. Espero jogar vôlei enquanto estiver me divertindo, mostrar para o meu filho, que ainda não entende. Outra Olimpíada nem pensar. Quatro anos é muito tempo. É natural. Infelizmente, chega um momento que acaba e hoje se encerra um ciclo”, disse no aeroporto.
O corte de Murilo da seleção foi explicado por Bernardinho por seu problema físico. Como o técnico precisou seguir o prazo para a inscrição de atletas, o ponteiro teve que aceitar o corte, mas deixou claro que ainda há dúvida sobre a gravidade de sua lesão e se realmente não poderia estar em quadra no dia 7 de agosto, estreia da seleção contra o México.
“O que mais me incomoda nessa questão física é que ainda temos 15 dias. Com certeza, hoje eu não teria condições de entrar em quadra e jogar um jogo inteiro. A panturrilha ia me incomodar. Talvez não no início, mas durante. Não conseguimos fazer uma ressonância para ter certeza do grau da lesão, se existe a lesão ou se é uma contratura. Então, isso me incomoda um pouco, me deixa com a pulga atrás da orelha. Minha ressonância está marcada para hoje (terça) às 18h. Vai me deixar muito incomodado se, por acaso, for alguma coisa muito pequena ou que não tenha lesão e em 15 dias eu tenha condição de jogo. Vai me perseguir bastante isso”, afirmou.
“É sempre triste, muito difícil. O momento ninguém esperava, ninguém sabia que o corte tinha que ser após a Liga Mundial, voltando para o Brasil, uma viagem longa. Piorou um pouco as coisas. Não dormimos depois do jogo, todo mundo meio virado. Tudo isso atrapalhou bastante. Não vou dizer que me deixou mais triste, o caso aqui é não participar da Olimpíada. É uma coisa natural do esporte. Nunca imaginei que o ano ia acabar dessa maneira. Me preparei bastante, tive alguns problemas físicos, mas sempre pensando em ajudar a equipe nos Jogos do Rio. Hoje, esse sonho se acaba. Tentar esfriar um pouco a cabeça e recomeçar. Tenho vida no clube, tenho pessoas que vão me receber de braços aberto e tenho que dar continuidade ao trabalho”, disse ainda.
Murilo disse que mesmo de fora, vai torcer pelo Brasil como se estivesse competindo. “Vou torcer como se estivesse lá. Essa fase final de Liga Mundial foi horrível por ficar assistindo sem poder ajudar. A Olimpíada vai ser assim. Não só eu, mas milhões de brasileiros vão estar torcendo por eles. Todos que estão ali merecem essa medalha”, contou.
Os jogadores convocados para a Olimpíada e que voltaram da Polônia têm folga até a noite de sexta-feira, 22, quando devem se reapresentar para os Jogos no centro de treinamento da CBV, em Saquarema.
Murilo começou na seleção quando o irmão Gustavo ainda representava o país e de irmão do central, se tornou um dos principais nomes do Brasil. O ponteiro defendeu o país por 12 anos, tendo conquistado seis títulos da Liga Mundial, dois do Campeonato Mundial, uma Copa do Mundo e duas pratas olímpicas.