
A divulgação do fechamento do Museu Melo Leitão, em Santa Teresa, na última quinta-feira (16), fez com que muitos capixabas lamentassem. Mas tudo indica que ele não será o único. O Museu das Grandes Guerras, em Afonso Cláudio, que recebe turistas e estudantes o ano inteiro, também pode fechar.
O espaço comporta cerca de 3.000 objetos que fizeram parte das Grandes Guerras Mundiais. A coleção foi reunida durante 50 anos pelo alemão Rolf Hoffman, 63 anos, que moram no município desde 2005.

Com problemas de saúde, a esposa de Rolf, Dalva Kempin Hoffmann, 47, afirmou que o marido quer voltar para seu país.
“Ele gosta muito do clima daqui, mas uma das coisas quem tem motivado ele vender a propriedade é a saúde precária. Até quando a gente chama um médico particular é difícil conseguir. E agora que ele está com problema de coração e desenvolveu outras doenças, ele não quer mais passar por essa dificuldade”, disse Dalva
Público não valoriza
Os problemas financeiros para manter todo o acervo, avaliado em R$ 1,8 milhão, também são grandes. O casal mantém tudo sozinho, apenas com o valor de entrada do museu, que é R$ 9 (individual) e R$ 7 (grupos escolares).
“Às vezes chegam pessoas aqui com carrão, tudo do bom e do melhor para visitar. Quando a gente fala que é cobrada uma taxa elas viram as costas e vão embora. O Rolf fica muito triste com isso, e eu falo que é assim mesmo, somos muito fracos culturalmente”, salientou Dalva, que é brasileira.
A esposa conta que o futuro do museu é incerto, já que Rolf está disposto a negociar tanto as peças como a propriedade inteira.
“Ele quer vender tudo, a propriedade e todas as peças. Se alguém aparecer e quiser comprar e deixar tudo como está, acho que o museu continua. Mas se a gente vender só a propriedade, o futuro disso daqui é incerto”, comentou Dalva, demostrando certa tristeza.
Museu
A paixão de Hoffman pelas guerras vem de sua família militarista alemã. Seu tataravô lutou contra o
Exército de Napoleão Bonaparte (1803 -1815). O bisavô na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). O avô lutou na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e o pai, na Segunda Guerra (1939-1945).
Com todo esse histórico, muitas peças foram herdadas, enquanto o restante foi fruto de doações ou compras ao longo de cinco décadas.
O alemão tentou montar seu museu na Alemanha, mas logo depois se mudou com todas as peças para a Áustria. Nas férias de 2003, veio ao Brasil passar férias e se apaixonou por Dalva.
Depois de dois anos morando com ela na Áustria, Hoffman teve a ideia de se mudar para a cidade natal da mulher. Quando Dalva é questionada se volta para a Alemanha com ele, ela diz:
“Isso eu ainda não posso responder. Tenho minha mãe para cuidar, além de outras coisas aqui. Vamos pensar juntos”.
