- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Notícias

Onça Juma é morta por soldado do Exército

Jumba em cerimônia em Manaus. Foto: Reprodução / Internet. A morte da onça Juma após participar de uma cerimônia da tocha olímpica em Manaus, na ...

Última atualização

Jumba em cerimônia em Manaus. Foto: Reprodução / Internet. Jumba em cerimônia em Manaus. Foto: Reprodução / Internet.

A morte da onça Juma após participar de uma cerimônia da tocha olímpica em Manaus, na segunda-feira, 20, gerou reações nas redes sociais, revelou o drama da espécie ameaçada de extinção e questionamentos sobre as condições de animais selvagens em centros do Exército.

Juma foi morta com um tiro de pisto no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Durante a cerimônia, ela e outra onça chamada Simba foram acorrentadas para a apresentação ao público. No entanto, Juma escapou depois da solenidade e militares tentaram recapturá-la, sem sucesso.

Em nota à agência local de notícias Amazônia Real, o Comando Militar da Amazônia (CMA) diz que um grupo de veterinários e militares tentou recapturá-la com tranquilizantes, mas que, mesmo atingido, o animal avançou sobre um soldado. “Como procedimento de segurança, visando a proteger a integridade física do militar e da equipe de tratadores, foi realizado um tiro de pistola no animal, que veio a falecer”, diz.

O Exército informou que abriu um processo administrativo para investigar a morte do animal. De acordo com o Amazônia Real, o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) não havia autorizado a participação de Juma no evento.

Várias onças, como Juma, são mantidas em cativeiro pelo Exército na Amazônia. Felinos e animais de outras espécies são adotadas pelo órgão quando são encontrados em cativeiro ou em poder de caçadores.

Algumas onças se tornam mascotes dos batalhões e recebem treinamento. Em uma prática condenada por biólogos e veterinários, os felinos costumam participar de desfiles militares em Manaus.

A onça Juma já havia feito uma aparição em um documentário feito em Manaus em 2014. Militares do Cigs a mostraram como a mascote do centro, explicaram que ela havia sido resgatada com ferimentos após sua mãe ter sido morta e contaram que ela cresceu no local sob os cuidados dos tratadores.

A onça aparece na lista feita pelo Ibama de animais ameaçados de extinção no país desde 2003. A espécie precisa de grandes áreas preservadas para sobreviver, onde pode caçar capivaras e até jacarés, mas é ameaçada pelo desmatamento que ocorre na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado.

Em entrevista à BBC Brasil, o biólogo João Paulo Castro explicou que o animal pode ter ficado estressado durante o evento e por isso teria fugido. “Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta”, disse. “Muitas vezes a onça já vive numa situação precária e estressante no cativeiro, o que é agravado num cenário de agitação”.

O biólogo destaca que é um erro tratar onças como animais domesticáveis, sendo necessárias várias gerações em cativeiro para que uma espécie se acostume a conviver com humanos. Castro diz ainda que o ideal seria devolver as onças apreendidas à natureza ou levá-las para refúgios em que possam ficar soltas em espaços amplos.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.