
Todos os bens que criminosos puderam levar passando por um buraco pequeno, aberto na parede da cozinha de uma paróquia, eles levaram. O aconteceu crime na madrugada desta quarta-feira na paróquia Nossa Senhora da Penha, no bairro Jardim Limoeiro, na Serra. Essa é a sexta vez que a igreja é arrombada.
Com dissabor, a secretária pastoral da paróquia, de 62 anos, mostrou o buraco usado pelos assaltantes para poder levar notebook, produtos de limpeza, alimentos e até papel higiênico. Os ladrões pularam o muro da igreja, foram até a parte de trás da cozinha e retirando o exaustor tiveram acesso ao cômodo.
A sala onde eles levaram os produtos ficam anexa à cozinha. “Por esse buraco é que eles entraram e além de roubarem produtos que seriam para doações em hospitais e famílias carentes, tentaram passar caixas de som e a mesa de som. Só deixaram, pois não conseguiram”, contou.
Ela explicou que diariamente chega na igreja em torno das 8 horas. A funcionária da limpeza que se deparou com a bagunça deixada pelos criminosos, como lembrou a secretária.
“Eles moveram caixas, mudaram aparelhos de lugar. Levaram detergentes, sabão em pó, alimentos embalados. Encontramos a cadeira que eles usaram na hora de subir no buraco navamente para fugir”, contou.
Dos 12 anos no qual está na igreja, ela conta que o local já foi alvo de vários criminosos. “Na nossa rua, a Pedro Zangrandi, já aconteceram roubos e já roubaram coisas de dentro de outras partes da igreja. Não respeitam nem a casa de Deus”.
O padre da paróquia Jones dos Santos Teixeira, de 38 anos, contou que na tarde de ontem foi até a 3ª Delegacia Regional da Serra para registrar o caso. “Tenho todos os boletins que fiz guardados. Penso que quem faz isso são dependentes químicos para obter recursos. O lugar é de difícil acesso, mas eles pulam muros, se arriscam”.
O padre disse que vai estudar junto aos irmãos a possibilidade de instalação de cerca elétrica na igreja, que já conta com câmeras. “Temos que avaliar junto ao conselho da comunidade. Vivemos de dízimo. Tudo o que foi levado foi conseguido com esforço”.
“Peço para que devolvam o que foi roubado”, diz padre
“Minha impressão pessoal na Serra é que todos tem uma senha. E que uma hora minha vez vai chegar e serei assaltado”. A dura crítica foi dada pelo padre da paróquia Nossa Senhora da Penha Jones dos Santos Teixeira, de 38 anos. A paróquia passou pelo sexto arrombamento do ano ontem. Ele contou sobre a insegurança que experimenta a cada dia.
A Tribuna – Até esse mês vocês tem experimentado arrombamentos na igreja?
Jones dos Santos Teixeira – Não só arrombamentos. De arrombamento esse de hoje foi o sexto. Eles já entraram em outros setores da igreja. Mas também já tiveram assaltos. Do que me recordo, só esse ano foram dois assaltos na rua da igreja, a rua Pedro Zangrandi.
Como foram esses roubos?
Foram roubos a carro. Num dos casos, era uma de nossas membras que foi levar o filho a catequese e nem conseguiu entrar na igreja. Os ladrões já mandaram com que ela saísse do carro. O outro foi um roubo a carro na rua mesmo. Muitos crimes são pela manhã mesmo. Mas é um problema que não acontece só aqui. Acontece em outras igrejas.
Lembra-se de outro caso recente?
Tem uma igreja ligada a nossa que fica até perto daqui e que também já teve seis arrombamentos neste ano. Num dos casos eles entraram no Santíssimo, uma das alas da igreja que consideramos mais sagradas. Roubaram várias coisas, até hóstia sagradas. Isso é o tipo de coisa que mexe com a gente.
Sobre esse episódio mais recente, o que teria a dizer para os criminosos? Acredita que podem recuperar o que foi roubado?
A gente tem que sempre ter esperança no ser humano. Não desejo mal a essas pessoas. Desejo que eles encontrem o sentido da vida. No fundo, no fundo acredito que eles não queriam estar nessa situação.
Peço para que devolvam o que foi roubado. E digo que se eles precisarem de ajuda, como pegaram coisas que seriam para doação, temos um trabalho para poder ajudá-los. E que Deus os abençoe.
E o que o senhor tem a dizer sobre o policiamento?
Acredito muito na instituição Polícia Militar, Polícia Civil. Algumas vezes vemos viaturas passando, mas não tanto em ruas internas como a nossa. Acredito que as ocorrências são tantas que eles não dão conta do que acontece.
Não precisamos de sensação de segurança. Precisamos de segurança. Se o governo fala que pode dar só sensação de segurança, estamos na pior das crises. Vivemos uma crise humana.
Reportagem de Tais de Hollanda.