
Tsunami é o nome das ondas gigantes formadas por um terremoto que são capazes de destruir cidades inteiras. Inspirado nesse fenômeno, a Polícia Civil batizou de Tsunami a operação que desarticulou a maior quadrilha de falsificação de documentos do Estado.
Ao todo, 18 pessoas foram indiciadas na operação, dez delas seriam clientes e os outros oito foram apontados como membros da quadrilha que atuava em três frentes, de acordo com o delegado Ricardo Toledo: falsificação de documentos, quitação irregular de débitos nos órgãos de trânsito e receptação e venda de veículo fruto de crime.
Para o delegado, a prisão de cinco membros da organização é fundamental para combater os crimes de furto e roubo de veículo no Estado. Ele explicou que o ladrão de carro é uma figura facilmente substituível, “prende um e aparece três no outro dia”.
Já a quadrilha, atua em áreas que requerem um certo grau de conhecimento e torna viável o mercado de carros roubados ou furtados. “São organizações desse padrão que conseguem dar uma aparência de legalidade a um veículo fruto de furto ou roubo. Esses indivíduos não são facilmente substituídos”, afirmou.
Segundo as investigações, era o policial militar da reserva Alfredo de Souza, 62 anos, que comandava a frente de falsificação de documentos da organização criminosa. Além disso, ele é acusado de atuar junto com a foragida Andrea Ferreira Leone, 44 anos, na frente de quitação irregular de débitos.
“Eles falsificavam todo tipo de documento, até selo autodestrutivo. Os documentos vinham em branco de São Paulo por meio de uma transportadora. São documentos originais que foram subtraídos de órgãos de trânsito. Se mandar para a perícia, vão dizer que é verdadeiro, as informações é que são falsas”, explicou o delegado.
Em outra frente, o débito irregular era realizado por meio de roubos virtuais em contas de pessoas jurídicas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A quadrilha usava um hacker, que ainda não foi identificado, para sacar dinheiro das contas de empresas, que também são vítimas, e usavam o dinheiro para pagar os débitos do “cliente”.
Na terceira frente, comandada por Naldaianer Vieira da Silva, 54 anos, a quadrilha recebia carros roubados, adulterava os dados e revendia com aparência de carro legalizado. Era o filho dele, Jhonatan Bento Vieira, 26 anos, que confeccionava a documentação falsa para a quadrilha, segundo a polícia.
Reportagem de Rafael Louzada