O Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), como passou a ser conhecido em 2014 o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, informou que fechará suas portas ao público a partir do dia 18 deste mês. A instituição localizada em Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, recebe a visita de cerca de 70 mil pessoas por ano.
Para quem acompanha o museu de perto, a notícia é triste, mas não é uma surpresa. Há dois anos a comunidade científica luta contra a extinção do instituto. O fechamento, segundo o museu, é por tempo indeterminado. Contratos de funcionários da limpeza foram encerrados.

Fundado pelo ambientalista Augusto Ruschi em 1949, o museu foi transferido para o governo federal em 1984, sob a tutela do Ministério da Cultura (MinC). Por entender que o órgão não era o mais indicado para cuidar do instituto, um movimento formado por cientistas, conservacionistas e ambientalistas conseguiu a transferência do então Museu de Biologia Mello Leitão para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de fortalecer as pesquisas realizadas no local.
O projeto de transferência foi aprovado no final de 2013 e a lei 12.954 foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em fevereiro de 2014, transformando a entidade no Instituto Nacional da Mata Atlântica. No entanto, desde então o INMA aguarda a publicação do decreto para efetivar a mudança, o que nunca aconteceu.
Além disso, desde abril deste ano, quando o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) exonerou os cargos de diretor, chefe administrativo e chefe técnico, a instituição está sem equipe para gerir suas tarefas.
“Há algum tempo, o Instituto Nacional da Mata Atlântica, antigo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, vem sofrendo com a falta de apoio dos órgãos responsáveis. O sucateamento de suas instalações tem comprometido não só a excelência de suas pesquisas, mas também a possibilidade de alavancar o seu grande potencial, que é difusão científica através de suas exposições, bem como o privilegiado ambiente de visitação”, argumenta a Associação de Amigos do Museu de Biologia Mello Leitão (Sambio), em seu site.
“Certamente o País passa por dificuldades circunstanciais que demandam medidas de economicidade, mas acreditamos que essas medidas não podem mutilar as instituições científicas, especialmente da área de biodiversidade, que serão essenciais na perspectiva do desenvolvimento socioeconômico, dentro de princípios ambientais sustentáveis”, complementa.
Pesquisa e preservação
Segundo a Sambio, cerca de 70 mil pessoas visitam o museu por ano, entre estudantes, universitários e pesquisadores. O instituto realiza pesquisas biológicas, coleta material zoológico e botânico, desenvolve educação ambiental e atua na preservação da memória de seu criador.
O museu controla duas estações biológicas na cidade de Santa Teresa (Santa Lúcia e Caixa d’Água) e reúne em seu acervo científico de mais de 65 mil itens que atraem pesquisadores de todo o mundo. O nome é uma homenagem a Cândido Firmino de Mello Leitão, professor e amigo de Ruschi que iniciou contatos com o Museu Nacional.